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Taxistas morrem ao volante: exaustão, pressão financeira e estresse preocupam
“O taxista hoje trabalha muito mais para ganhar muito menos. Tem motorista ficando 14, 15 horas na rua para conseguir fechar as contas. Isso vai acabando com a saúde física e mental do trabalhador”, afirma
Quinta-Feira, 07 de Maio de 2026

Trabalhar mais de 12 horas por dia, enfrentar trânsito intenso, dormir pouco, comer mal e ainda lidar com a queda da renda provocada pela concorrência dos motoristas por aplicativo. Essa tem sido a realidade de milhares de taxistas na Bahia e, segundo representantes da categoria, o preço dessa rotina está sendo pago com a própria vida. De janeiro até agora, 32 taxistas morreram vítimas de infarto no estado, um número que vem assustando colegas, familiares e entidades do setor.

Os casos, segundo a Associação Geral dos Taxistas (AGT), têm ocorrido de forma cada vez mais frequente e, em muitos episódios, os profissionais passam mal durante o expediente, dentro dos próprios veículos. Há relatos de motoristas encontrados desacordados no carro, profissionais que sofreram mal súbito enquanto trabalhavam e outros que chegaram a ser socorridos, mas não resistiram.

Presidente da AGT, Denis Paim afirma que os números podem ser ainda maiores do que os oficialmente contabilizados pela entidade. Segundo ele, os dados são reunidos a partir de relatos de familiares, grupos de comunicação da categoria e acompanhamento direto dos sepultamentos.

“Esses 32 casos são verídicos. A gente recebe as notícias através dos grupos de taxistas, conversa com familiares e acompanha muitos sepultamentos. Alguns morreram dentro do táxi, outros dormiram e não acordaram mais. Tem motorista que passou mal no carro, foi hospitalizado e não voltou mais. E eu acredito que o número real seja ainda maior”, relata.

De acordo com Denis Paim, a categoria enfrenta um cenário de desgaste físico e emocional extremo. Além da hipertensão - um dos principais fatores de risco para infartos - muitos profissionais convivem com obesidade, diabetes, problemas renais, ansiedade e estresse crônico.

“O taxista hoje trabalha muito mais para ganhar muito menos. Tem motorista ficando 14, 15 horas na rua para conseguir fechar as contas. Isso vai acabando com a saúde física e mental do trabalhador”, afirma.

Nos pontos de táxi de Salvador, os relatos se repetem. O taxista Francisco de Assis, de 32 anos, que trabalha na região do Campo Grande, conta que a insegurança e a concorrência diária têm provocado episódios constantes de estresse e palpitação.

“Hoje a gente trabalha muito nervoso. Tem a insegurança, o medo de assalto e ainda a concorrência. Já aconteceu várias vezes de o passageiro abrir a porta do táxi e desistir porque o Uber chegou. Isso deixa a gente muito estressado. Tem hora que dá palpitação mesmo”, relata.

A taxista Alexandre Ribeiro afirma que muitos passageiros ainda acreditam que o táxi sempre será mais caro, mesmo quando a corrida pode sair pelo mesmo valor ou até mais barata.

“O táxi está ali parado, disponível, mas a pessoa fica na frente chamando aplicativo porque acha que vai pagar menos. Muitas vezes o táxi acaba ficando até mais barato, dependendo do horário e da corrida. Só que existe essa ideia de que o aplicativo sempre compensa mais”, afirma.

O cardiologista Cássio Brito explica que profissões submetidas a longas jornadas, estresse contínuo e privação de sono possuem risco cardiovascular elevado. Segundo ele, o organismo responde ao estresse liberando hormônios que aumentam pressão arterial e frequência cardíaca, favorecendo eventos graves.

“O estresse crônico, associado a hipertensão, diabetes, obesidade e sedentarismo, cria um ambiente extremamente perigoso para o coração. Quando o trabalhador permanece muitos anos submetido a essa rotina, sem acompanhamento médico e sem qualidade de vida, o risco de infarto cresce significativamente”, explica.

O especialista destaca ainda que a falta de acompanhamento preventivo agrava a situação. Muitos profissionais só procuram atendimento médico quando já apresentam sintomas mais graves.

“Muitas vezes esses trabalhadores negligenciam sinais importantes como cansaço excessivo, dor no peito, falta de ar e alterações na pressão arterial. A prevenção é fundamental, especialmente para profissionais submetidos a jornadas exaustivas”, alerta Cássio Brito.

A situação tem provocado preocupação dentro da categoria, que cobra políticas públicas voltadas à saúde do trabalhador do transporte. Entre as reivindicações estão campanhas de prevenção cardiovascular, acesso facilitado a exames médicos e ações voltadas à saúde mental.

Enquanto isso, colegas de profissão convivem diariamente com o medo de que novos casos aconteçam. Nos pontos de táxi de Salvador, o assunto virou rotina entre os motoristas, que relatam sensação de insegurança e esgotamento crescente.


 

FONTE: www.trbn.com.br  
 
 

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