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Incentivo financeiro impulsiona estudantes
Programa Pé-de-Meia beneficiará 2,1 milhões de estudantes do ensino médio público
Domingo, 25 de Fevereiro de 2024

Procurando garantir a permanência dos estudantes nas salas de aula, programas que incentivam de forma financeira alunos e alunas a concluírem seus anos escolares, vêm se tornado essenciais na educação pública do Brasil, onde quase 9 milhões de pessoas, entre 18 e 24 anos, não concluíram os estudos, de acordo com o Censo Escolar 2023 do Ministério da Educação (MEC). O mais novo é o Programa Pé de Meia, que beneficiará 2,1 milhões de estudantes do ensino médio público de todo o Brasil com uma poupança. Mas aqui na Bahia, programas como o Bolsa Presença e Mais Estudo apoiam estudantes do ensino médio estadual desde a pandemia, enquanto o Mais Futuro está presente na vida dos universitários do estado há cerca de sete anos.

Natural do município de João Dourado (centro-norte da Bahia), Eduarda Cardoso dos Santos, de 28 anos, é estudante de urbanismo na Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e desde 2019 está no Mais Futuro. “Foi com o programa que consegui permanecer em Salvador sem precisar trabalhar, e ter qualidade e bom desempenho em meus estudos. Não havia, de forma alguma, como minha família me manter sozinha tão longe de casa, então me sinto muito abençoada e gratificada”, afirma Eduarda, que irá se formar no final deste semestre.

Criado pelo Governo do Estado da Bahia (GOV-BA), o Mais Futuro – que atende as universidades estaduais (Uneb, Uefs, Uesb e Uesc) e em 2023 ajudou 13 mil discentes, com um investimento de R$ 43 milhões –, visa garantir que estudantes em situação socioeconômica vulnerável permaneçam na instituição e concluam seus cursos. O auxílio pode ser de R$ 300 ou R$ 600, a depender da distância que os estudantes moram da universidade, e feito até que 2 / 3 do curso seja concluído. No terço final, os beneficiários terão a opção e prioridade para ingressar em vagas de estágio ofertadas por órgãos e secretarias do GOV-BA.

Estagiando na Pró-Reitoria de Ações Afirmativas (Proaf) da Uneb, essa é a fase que Eduarda está agora, assim como a estudante de filosofia Andressa Batista Santos, de 25 anos. Estagiária da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (Praes) da Uneb, assim como Eduarda, Andressa – que se forma este ano – soube do programa através de amigos e colegas da universidade. Na época, ela lembra, teve que correr para reunir os documentos necessários e atualizar as informações do CADÚNICO da mãe.

“Com dois irmãos mais velhos (hoje já casados e com suas casas), dois mais novos e apenas meu pai trabalhando, não tínhamos renda para me manter na universidade. Esse dinheiro pagou meu transporte, comida, livros… Até hoje é o que me mantém. Costumo dizer que a Uneb colocou comida na minha boca”, afirma Andressa, que participou de outros programas como a Residência Pedagógica e o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), “mas o Mais Futuro foi o único programa que me acompanhou durante toda a graduação e me ajuda até hoje”, afirma.

Tempo na escola

Sabemos que quanto mais tempo o aluno fica na escola, maior é a condição dele de aprendizagem, afirma o assessor especial na Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC), Manoel Calazans. E isso vale para todas as fases de ensino. “Infelizmente, o Brasil ainda tem na educação pública altos índices de evasão: uma média de 7% a 8% dos estudantes abandonam o ensino médio, então isso é uma situação muito grave que aumentou com a pandemia. Tanto, que o Estado da Bahia iniciou os programas Mais Estudo e Bolsa Presença justamente nesse período para tentar conter essa situação”, explica.

O fato é: sem as mínimas condições materiais de continuar na escola, o estudante acaba evadindo. “Ele vai para o mercado informal de trabalho, vai ajudar nos arranjos econômicos das suas famílias, vai trabalhar no mercadinho, na oficina, ganhando um valor que muitas vezes ajuda na alimentação da família. Então, o Bolsa Presença, por exemplo, tem essa finalidade de manter o estudante na escola através da frequência. Já no Mais Estudo, além da presença, é preciso ter boas notas”, explica Manoel Calazans.

Com um investimento de R$635,9 milhões em 2024, a estimativa é que o Bolsa Presença atenda 370 mil famílias de 415 mil estudantes da rede estadual de ensino: cada família beneficiada recebe R$150 por mês, acrescidos de R$50 por estudante, a partir do segundo aluno matriculado. A primeira parcela de 2024 será paga em março. Já o Mais Estudo ainda não tem dados informativos para este ano, mas em 2023 destinou R$54,6 milhões para cerca de 52 mil vagas de monitoria em Língua Portuguesa e Matemática, onde cada aluno recebeu R$150 por mês durante a vigência do programa.

E a importância desses programas é enorme, enfatiza o professor e reitor da UniRuy Wyden, Rodrigo Vecchi, mestre e doutor em áreas correlatas a educação, pois precisamos incentivar essa formação continuada para que esses estudantes estejam em um cenário de crescimento, melhorando a educação no Brasil. “Sou uma pessoa muito otimista que, cada vez que surgem programas como esses, construídos para contribuir com a renda, a permanência e o engajamento do aluno, eles vêm com a certeza de que dará resultados onde os benefícios serão para todos”, afirma o reitor.

É bom para o aluno, a escola e o país, aponta Rodrigo Vecchi, mas, em especial, é bom para a família. “As famílias também participam desse processo, até porque, no Bolsa Presença por exemplo, as famílias têm que estar presentes em algumas atividades. Essas famílias então têm esse estudante engajado e participante, e tudo faz parte de um processo de ensino-aprendizagem onde todos os sujeitos contribuem para o mesmo fim, que é o estudante obter boas notas, estar na escola e crescer até o final”, explica.

E agora, com o Pé de Meia se unindo a essa essencial rede de apoio e auxílio educacional, a importância desses programas crescerá dando ainda mais resultados. “Tudo que é feito para a educação, é feito em prol da sociedade”, afirma a estudante de ciências biológicas da UEFS, Maria Aparecida dos Santos de Oliveira Gonzaga, de 48 anos. “É comum que pessoas de fora romantizem a vida acadêmica de instituições públicas, mas a verdade é que quem está ali quer alguma coisa para seu futuro, mas nem sempre o que eles têm ao seu dispor, seja financeiramente ou rede de apoio, lhes permite isso”, desabafa ela, que também está na fase de estágio do Mais Futuro.

Sem o incentivo e devido apoio, a evasão é o caminho mais tomado. Da turma que entrou com Maria Aparecida na Uefs em 2018, sete estudantes desistiram por ser inviável conciliar o curso (em especial os horários) com as demandas pessoais. “A evasão já acontecia, mas aumentou muito depois da pandemia, pois não conseguir trabalhar se tornou insustentável. Hoje, o que pedimos é que o valor do Mais Futuro seja revisto, uma pauta já antiga dentro da universidade. E que mais programas que apoiam a educação surjam. Quando soube do Pé de Meia, fiquei imaginando o quanto não ajudaria na minha época”, reflete a estudante.

 

FONTE: atarde.com.br  
 
 

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