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Procura por tratamento contra vício em bets cresce mais de 600% no SUS
Quarta-Feira, 30 de Setembro de 2026

A procura por tratamento contra a ludopatia no Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou mais de 600%, segundo o Ministério da Saúde, que iniciou uma estratégia de identificação e acompanhamento de pessoas com problemas relacionados às apostas. Com a medida provisória que proíbe as bets no Brasil, a atenção também se volta para quem perdeu o controle sobre o jogo e precisa de assistência mesmo após a interrupção do acesso às plataformas. 


O ministério informa que o vício vai além das perdas financeiras e está associado a ansiedade, depressão, alterações no sono e no humor, conflitos familiares e prejuízos nas relações pessoais e profissionais. A pasta também relaciona o problema ao isolamento e ao maior uso de álcool e outras drogas, com consequências que atingem tanto os apostadores quanto as pessoas próximas.


Para Cristiano Costa, psicólogo e diretor de conhecimento da Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (Ebac), quem já perdeu o controle sobre as apostas precisa buscar acompanhamento profissional. O especialista orienta essas pessoas a acessar o Meu SUS Digital para procurar atendimento e ressalta que a falta do jogo, quando interfere no humor e nas relações cotidianas, exige atenção.


Sinais


Entre os sinais de alerta, Costa destaca isolamento, irritabilidade, impaciência para conversar sobre o assunto ou conviver com outras pessoas, além da distração provocada por pensamentos recorrentes sobre as apostas. Segundo o psicólogo, a indicação de avaliação profissional considera quanto tempo esses sintomas ocupam no cotidiano e a intensidade ou gravidade com que se manifestam.


“A avaliação profissional é indicada pela quantidade de tempo que esses sintomas ocupam o dia-a-dia, bem como pela intensidade ou gravidade dos mesmos sintomas”, explica Cristiano Costa. A observação desses fatores pode ajudar os familiares a reconhecer quando as mudanças de comportamento precisam ser avaliadas por um profissional, especialmente se comprometem a convivência e as atividades cotidianas.


O especialista também considera real e muito provável o risco de migração para sites clandestinos ou de substituição das apostas por outros comportamentos compulsivos. Ao tratar dessa possibilidade, ele aponta como sinal a ampliação repentina e intensa de atividades como comer, beber, fumar, comprar, praticar exercícios ou trabalhar.


“Quem reconhece que está sentindo muita falta das apostas, a ponto de interferir no humor e nas relações cotidianas, é melhor buscar logo ajuda”, afirma o psicólogo. Costa recomenda que a pessoa converse sobre o que sente e procure acompanhamento, em vez de permanecer em silêncio diante das dificuldades provocadas pela interrupção do jogo.


Conversa


No ambiente familiar, a orientação é abrir espaço para uma conversa acolhedora, sem julgamentos, críticas ou cobranças à pessoa que apresenta comportamento compulsivo. O psicólogo indica o SUS, os planos de saúde e a procura direta por profissionais de psicologia como caminhos para obter assistência, com atenção à escolha de alguém com quem o paciente se sinta à vontade para conversar.


“A melhor abordagem será sempre a suspensão dos julgamentos, das críticas, cobranças e abertura de espaço acolhedor e compreensivo”, orienta Costa. Para o diretor de conhecimento da Ebac, conversar sobre o assunto e recorrer a especialistas são atitudes que devem fazer parte do apoio a quem enfrenta problemas com as apostas.


O Ministério da Saúde disponibiliza um autoteste no Meu SUS Digital para que cada pessoa avalie o impacto das apostas na própria vida. Segundo o ministro Alexandre Padilha, os números disponíveis não traduzem todo o sofrimento relatado por pacientes, profissionais de saúde e familiares, e os efeitos do comportamento compulsivo ultrapassam a experiência individual de quem joga.


Em 2023, mais de 28 milhões de brasileiros haviam apostado nos 12 meses anteriores à pesquisa citada pelo ministério, e 10,9 milhões apresentavam um padrão de jogo de risco ou problemático. A pasta informa ainda que, entre 2018 e 2025, os atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas cresceram cerca de 140%, com projeção de aumento de mais 104% até 2028. 


A mortalidade por suicídio é 15 vezes maior entre pessoas com transtorno do jogo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), conforme os dados apresentados pelo Ministério da Saúde. O material aponta a dificuldade financeira como principal fator associado ao suicídio entre apostadores e informa que o risco de desenvolver dependência é três vezes maior entre pessoas socioeconomicamente vulneráveis e 150% maior entre jogadores online.


A exposição às apostas também alcança crianças e adolescentes, de acordo com uma pesquisa em escolas públicas e privadas mencionada pela pasta, na qual 20,4% dos estudantes disseram já ter apostado online. O contato pode começar aos 11 anos e, entre os meninos do terceiro ano do ensino médio, a proporção chega a 49,7%.


Entre as mulheres que apostam ou já apostaram, 65% relataram não ter procurado ajuda por vergonha, enquanto 12% das que não apostam disseram sofrer impactos decorrentes do jogo de familiares. Um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde estima em R$ 38,8 bilhões anuais o custo social associado aos jogos, dos quais R$ 30,6 bilhões estão ligados à saúde, incluindo suicídios, perda de qualidade de vida associada à depressão e tratamentos médicos.


 

 

FONTE: www.trbn.com.br  
 
 

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