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Retomada do regime de chuvas garante maior nível de água dos rios do Oeste baiano
Segunda-Feira, 23 de Julho de 2018

Os moradores de cidades ribeirinhas, como Barreiras, Correntina e Jaborandi, que comumente sofrem com a redução natural da vazão dos rios com a chegada do período seco no Oeste baiano, previsto para o mês de outubro, terão uma boa notícia. Segundo dados do programa fitossanitário da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (ABAPA), a quantidade de água que desce pelos rios é a maior dos últimos quatro anos e isto se dá por conta da retomada gradual do regime de chuvas.

As informações obtidas através do estudo do potencial hídrico serão disponibilizadas para a sociedade em geral e subsidiará a gestão dos recursos hídricos de maneira a garantir o uso da água para o consumo humano e produção de alimentos de maneira sustentável. O estudo do potencial hídrico também conta com a parceria da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA), Secretaria de Agricultura, Irrigação, Pecuária, Pesca e Aquicultura (SEAGRI), Secretaria de Infraestrutura Hídrica (SIHS) e o Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA).

No período de 2017/2018, a ABAPA contabilizou 1097,01 mm/m² de chuva e em 2016/2017 foram 949,25 mm/ m². O pior ano foi na temporada 2015/2016, quando choveu somente 810,79 mm/ m², o que interferiu, não somente no nível dos rios, mas prejudicou a produção agrícola do Oeste da Bahia, onde 94% de toda a produção é em sequeiro, ou seja, depende diretamente das chuvas, conforme o presidente da entidade, Júlio Busato.

Com estudos há dez anos no Oeste da Bahia, que culminou na pesquisa de doutorado sobre Paleoclimatologia, o professor e pesquisador da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), o geógrafo Ricardo Reis, afirma que o regime de chuvas interfere diretamente no volume das águas superficiais. Segundo ele, as variáveis climáticas naturais têm muito mais peso na disponibilidade hídrica na região do que as ditas variáveis climáticas antrópicas. “No caso dos rios do Oeste da Bahia, as pressões causadas pelo homem com o uso por parte dos usuários da bacia hidrográfica, a exemplo de irrigação, indústria e abastecimento para quem mora nas cidades, são menores quando comparado ao clima, como a baixa pluviosidade, por exemplo”, explica.

O meteorologista e pesquisador da Universidade Federal de Alagoas, PHD em Meteorologia e pós-doutor em Hidrologia de Florestas, Luiz Carlos Molion, também acredita que as restrições hídricas das últimas quatro temporadas estão associadas ao ciclo climático e não à irrigação das lavouras, como disseminado por quem mora nas cidades. “Está previsto o fim de um ciclo e o começo de um outro, pois na natureza nada é definitivo. Vejo uma boa previsão para os próximos dez anos, mas a curto prazo posso adiantar que os anos de 2018 e 2019 serão melhores em termo de chuvas”, prevê, ao entender como cíclica a baixa pluviosidade dos últimos anos.

A diretora de Meio Ambiente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIA), Alessandra Chaves, também esclarece que, no período de estiagem, depois de julho, há uma redução do ritmo da produção agrícola na região Oeste, quando se entra no vazio sanitário da soja que se estende até outubro, reduzindo naturalmente a utilização da água na agricultura. “Um outro estudo, realizado pela EMPRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), baseado nos dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), tem reforçado que os agricultores vêm respeitando a legislação ambiental e que o percentual conservado em áreas de Reserva Legal, de Preservação Permanente (APP´s) em margens de rios, nascentes, veredas, e outros excedentes de vegetação nativa ultrapassam 4 milhões de hectares”, afirma, completando que estes dados “demonstram que os produtores rurais vêm, aos poucos, reunindo subsídios para demonstrar para a sociedade o papel do produtor rural na conservação e na preservação do meio ambiente e dos serviços ecossistêmicos associados”.

 

FONTE: atarde.uol.com.br  
 
 

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