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Pela 1ª vez na história, Brasil tem mais idosos do que jovens e total chega a 34 milhões
Regras mais rígidas da previdência e alta informalidade faz com que quase um quarto das pessoas na terceira idade continue trabalhando
Quinta-Feira, 28 de Maio de 2026

O perfil da população brasileira está mudando de forma muito rápida, e isso mexe diretamente com o sonho da aposentadoria. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o número de brasileiros com mais de 60 anos superou o total de jovens pela primeira vez na história registrada. Com o envelhecimento acelerado do país e as regras mais duras para se aposentar, aprovadas na reforma da previdência em 2019, deixar o mercado de trabalho virou um objetivo bem mais distante para a maioria das pessoas.

Queda na natalidade muda estrutura da população brasileira

Essa mudança acontece porque os brasileiros estão tendo menos filhos. A taxa de fecundidade no país caiu para 1,57 filho por mulher, um número que está abaixo do mínimo necessário para manter o tamanho da população sem que ela encolha no futuro. Essa redução se deve a transformações na sociedade, como o crescimento das cidades, a entrada das mulheres no mercado de trabalho e o uso de métodos contraceptivos. Além disso, o custo alto para criar os filhos e o planejamento familiar mais tardio fazem com que as novas famílias adiem ou desistam da decisão de ter crianças, diminuindo a base de jovens no país.

Dados mostram envelhecimento desigual nos estados


Ao mesmo tempo em que nascem menos bebês, as pessoas estão vivendo mais tempo. O número de brasileiros com 65 anos ou mais saltou de 14 milhões na década passada para mais de 22 milhões no último Censo, um crescimento de 57,4%. Pesquisas mais recentes mostram que esse avanço continuou e o país já conta com os 34 milhões de idosos destacados no topo da matéria. Esse processo reflete melhorias na saúde e no saneamento, elevando a expectativa de vida média para 76 anos.
Esse envelhecimento não acontece por igual no país. O Sudeste lidera com 12,2% de idosos na sua população, seguido de perto pelo Sul, com 12,1%. No ranking estadual, Santa Catarina tem a maior proporção de idosos do Brasil, chegando a 14,3%, com o Rio Grande do Sul logo atrás, registrando 13,7%. Por outro lado, o Norte tem a população mais jovem, com apenas 8,5% de idosos. Os menores índices do país estão em Roraima, com 6,3%, e no Acre, com 6,5%.


Informalidade no trabalho prejudica as contas do INSS


Essa transformação na idade dos brasileiros ocorre junto com outro problema crônico: o emprego informal. Cerca de 39 milhões de pessoas trabalham sem carteira assinada ou vínculo formal no país, o que representa mais de um terço de toda a mão de obra ativa. Como esse grupo imenso não contribui regularmente para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a arrecadação do governo cai muito. O resultado é um rombo financeiro na previdência pública que já ultrapassou a marca de 320 bilhões de reais.


Idosos buscam renda complementar


Sem conseguir contribuir de forma contínua e diante da idade mínima obrigatória de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, muitos idosos não conseguem parar de trabalhar. Hoje, a taxa de pessoas na terceira idade que continuam na ativa atingiu 24,4%, o maior número já registrado. As pesquisas mostram que a grande maioria trabalha por pura necessidade financeira para ajudar no orçamento de casa. Como faltam vagas formais, eles acabam ocupando funções autônomas, subempregos ou atuando em aplicativos de transporte e entregas.


Projeções para a previdência social indicam novos desafios


O cenário para o futuro do sistema previdenciário exige atenção constante. Os modelos estatísticos indicam que, por volta do ano de 2042, a população total do Brasil vai começar a encolher pela primeira vez. Enquanto isso, o número de idosos vai continuar subindo e deve representar mais de um terço dos habitantes do país até o ano de 2070. Com cada vez menos trabalhadores ativos contribuindo para pagar os benefícios de uma população mais velha, o tema segue como prioridade nos ministérios da Fazenda e da Previdência Social.

 

FONTE: www.correio24horas.com.br  
 
 

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