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Movimento intenso em bancos preocupa Sindicato
Categoria enviou ofício para Rui Costa de ACM Neto a fim de debater medidas para proteger a saúde dos trabalhadores
Sábado, 21 de Março de 2020

Impulsionados pela liberação de benefícios, muitos baianos correram para as agências bancárias na sexta-feira (20), provocando aglomerações, o que está proibido por órgãos federais, estaduais e municipais. A situação tem gerado apreensão entre os bancários, estes que alertam sobre o perigo de disseminação do novo coronavírus (Covid-19) nas unidades.

Em entrevista à Tribuna da Bahia na tarde de ontem (20), o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Augusto Vasconcelos, definiu como irresponsável a falta de medidas efetivas nas agências, apontando os locais como espaços com "alto potencial de contaminação".

“Os bancos estão sendo irresponsáveis com a vida das pessoas. Bancários, clientes, vigilantes, todos correm sérios riscos com a possibilidade de contaminação nas agências bancárias. Todos sabem que as agências movimentam cédulas e moedas, que possuem alto potencial de contaminação, além de aglomeraram diversas pessoas em espaços físicos limitados”, afirmou.

Em sua análise, o grande movimento nas unidades de atendimento ao longo da sexta-feira ocorreu em função da liberação de benefícios por parte do governo federal. Vasconcelos relatou que a categoria foi a primeira a criar um comitê de crise em todo o país e está acompanhando as medidas adotadas por todos os bancos, em todos as cidades baianas com agências.

"Tem lugares, como em Paulo Afonso, que já não tem mais álcool em gel. Tem bancos que não estão fornecendo esses kits, nem luvas. Como mantém a agência aberta? Essas filas que vocês viram em várias agências em todo o estado é um reflexo de um certo contingenciamento. E não há fiscalização. É preciso respeitar o distanciamento entre as pessoas, com distância de um metro e meio a dois metros. A gente está muito preocupado com a possibilidade dos bancos se transformarem em proliferadores da doença. O sindicato tem cobrado desde o início da pandemia que as empresas adotem providências para minimizar os impactos para a sociedades”, afirmou.

Sem resposta dos patrões, o presidente do sindicato informou que acionou, por meio de ofício, o governador da Bahia, Rui Costa, e o prefeito de Salvador, ACM Neto, a fim de agendar uma reunião para debater medidas que poderão ser adotadas para prevenir a saúde dos trabalhadores.

Um comunicado ao Ministério da Saúde também foi enviado, assinado pelo Comando Nacional dos Bancários, que reúne várias frentes pelo país tentando adotar medidas para evitar o avanço do coronavírus no sistema financeiro.

“A tendência é piorar, com as medidas anunciadas pelo governo federal, principalmente na Caixa e no Banco do Brasil, que são os responsáveis por efetuar o pagamento da maior parte desses benefícios. Consequentemente vai gerar uma corrida para as agências, especialmente por parte dos idosos, que é o maior público beneficiado”, destacou Augusto Vasconcelos.

Ele pontuou ainda algumas medidas sugeridas pela categoria para minimizar a proliferação da doença. “Que as agências sejam obrigadas a fazer atendimentos que assegure a salubridade das unidades, distância mínima entre as pessoas, número limitado de pessoas nas agências. E, se não for possível, que atendimento naquele local seja suspenso, ficando apenas os casos de maior urgência para serem atendidos, como o pagamento dos benefícios. Não é o momento de irem para as agências procurar financiamento”, disse., acrescentando:

“É preciso criar canais alternativos. Atendimentos fora das agências, em locais públicos, que não propague com tanta facilidade o vírus. Estacionamentos, estádios, ver locais que permita que as pessoas possam ter uma separação mínima. Às vezes não tem jeito, tem que ir na agência, mas precisa ter uma compreensão que não é um momento normal e precisamos flexibilizar. Já conseguimos afastar funcionários do grupo de risco (idosos, gestantes, hipertensos e pessoas com problemas crônicos), conseguimos que 30% da categoria trabalhe de casa. Agora queremos ampliar esse número, achamos que medidas da quarentena exigem que as pessoas trabalhem de casa”.

A reportagem tentou contato com o sindicato patronal, mas não obteve sucesso.

 

FONTE: www.trbn.com.br  
 
 

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