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Os bancos ganham com a pandemia
Quinta-Feira, 09 de Abril de 2020

Enquanto o setor produtivo da economia brasileira luta para sobreviver à pandemia, 3 bancos privados – Bradesco, Itaú e Santander – agem como se fosse hora de ganhar dinheiro. E, enquanto na propaganda televisiva dizem estar prontos “para cuidar de todos” ou  “superar esse momento”, na vida real aumentam os juros e os spreads e exigem garantias impossíveis de cumprir em tempos de pandemia, emperrando as linhas de créditos que o governo está disponibilizando para as empresas.

O governo reduziu o depósito compulsório e o BNDES colocou recursos subsidiados no sistema bancário para ajudar pequenas e médias empresas, mas os bancos passaram a cobrar  8% de spread na operação, fazendo o juro pular para 15% ao ano, quando a taxa Selic está em 3,75%. E ainda  aumentaram a burocracia nos cadastros, exigindo avalistas e garantias. Não é de admirar, os bancos preferem aplicar o dinheiro em Títulos do Tesouro e ganhar  mais com menos risco.

A busca por lucros é tão grande que um desses bancos colocou na TV, em pleno horror com as mortes pelo coronavírus, um anúncio vendendo seguros com descontos para médicos e enfermeiras. Mas o pior é  que eles estão retardando os empréstimos que o governo colocou à disposição dos empresários. Para reduzir a burocracia, o governo vai ter de assumir a maior parte dos riscos bancários usando os fundos de bancos públicos e recursos do Tesouro Nacional. Ou seja, os bancos ficarão com o lucro e governo com o risco. Para tentar impedir que eles direcionem os recursos, o CMN – Conselho Monetário Nacional proibiu temporariamente a distribuição de lucros e o aumento da remuneração dos executivos. Foi uma intervenção direta do estado no mercado e foi correta, afinal um cartel, onde 3 bancos combinam práticas e preços não tem nada a ver com o  liberalismo econômico.

A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil estão, é verdade, com  posturas mais adequadas  na crise, mas, ainda assim, não podem fugir as regras do cartel.  A verdade é que os 3 maiores banco privados do país, que tiveram um lucro de R$ 63 bilhões em 2019 e uma taxa de retorno que supera a de qualquer negócio no Brasil e no mundo, deveriam estar contribuindo mais com a população. Mas fica a lição: passada a crise, o governo tem de abrir o mercado bancário e estimular o surgimento de bancos digitais e de fintechs, para assim reduzir a voracidade do cartel de bancos.

 

FONTE: atarde.uol.com.br/coluna/armandoavena  
 
 

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