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Se Bolsonaro não quer a ditadura, parece que sim. Só anda para lá
Terça-Feira, 21 de Abril de 2020

Bolsonaro conseguiu um feito, se não inédito, com certeza raro na história da República: uniu toda a representação institucional do país, dos políticos e de outros poderes, contra.

Como sempre, mandou o isolamento às favas e foi para uma aglomeração justamente de simpatizantes que pediam a volta da ditadura militar. E deu apoio ao pessoal.

Veja você: um presidente democraticamente eleito numa manifestação que prega o fechamento do STF e do Congresso. Extrapolou. Ele é desajustado, sem a exata noção do cargo que ocupa, ou é um líder da extrema-direita que está tentando se eternizar?

Ingrato — Com menos de um ano e quatro meses já demitiu seis ministros. O primeiro, Gustavo Bebiano, da Secretaria de Governo, amigo da primeira hora, coordenador de campanha, foi rifado da Secretaria de Governo em 19 de fevereiro, pouco mais de um mês após a posse, pelo filho de Bolsonaro, Carlos, vereador no Rio. Em 14 de março, menos de um mês depois, morreu de infarto.

Em Brasília, o caso é sempre evocado como exemplo maior da falta de senso de gratidão de Bolsonaro, que também chutou Wilson Witzel (PSC), eleito com ele governador do Rio, e explodiu o PSL que o elegeu.

Com esse perfil, o de enxotar até quem trabalhou para elegê-lo, como ele vai arranjar votos para se reeleger? Ou ele está usando as liberdades democráticas para tentar sufocar a democracia? Ainda bem que a reação contra foi pesada. Já pensou Bolsonaro ditador? Que horror...

 

FONTE: atarde.uol.com.br/coluna/levivasconcelos  
 
 

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