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Casos de coronavírus na Bahia crescem 8,6% ao dia; número está acima do esperado
Se a taxa de crescimento atual for mantida, ao final de maio, a demanda por UTIs será maior do que o disponível
Quarta-Feira, 29 de Abril de 2020

Diariamente, um balanço da quantidade de casos de coronavírus na Bahia é feito pela Secretaria de Saúde do estado (Sesab) e a velocidade com que esse número aumenta tem chamado a atenção do poder público. Na terça (28), por exemplo, a Bahia amanheceu com 2.356 casos confirmados. Na manhã desta quarta (29), esse número já saltou para 2.564. Um aumento de 8,82%.

Em média, a taxa de crescimento dos casos de coronavírus na Bahia é de 8,6% ao dia, segundo os dados da Sesab. Esse número até é considerado abaixo das projeções iniciais feitas pelo Governo do Estado, mas não deixa de ser preocupante. “Se mantivermos a taxa de crescimento atual, ao final do mês de maio, a demanda por leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) será maior do que o disponível no estado”, informou a assessoria da Sesab. Seguimos com taxa média de crescimento  de 8,6% ao dia. Precisamos trazer para abaixo de 6% urgentemente.A conta é simples: quanto mais pessoas infectadas com o coronavírus ao mesmo tempo, maior a velocidade de transmissão da doença e maior a demanda por leitos. Atualmente, o estado possui 334 leitos exclusivos para a Covid-19, com uma taxa de ocupação de 21%. Se todos estiverem ocupados, Estado e municípios terão que utilizar os leitos de hospitais gerais, que não são exclusivos para a pandemia.

Abaixo de 6%, a necessidade por leitos de UTIs será inferior a mil, segundo a Sesab, o que possibilita que todos tenham um tratamento disponível. A taxa de crescimento é calculada sempre comparando o total de casos novos do dia atual com o do dia anterior. Em outras palavras, quanto menor for a taxa de crescimento dos casos de coronavírus na Bahia, mais rápido a curva do gráfico será achatada.

Um provável salto no número de casos seria um pesadelo para as autoridades baianas, pois isso aumentaria a demanda pelo sistemas de saúde a ponto de levar a um colapso. É o que já está acontecendo em outros estados brasileiros, como o Amazonas.  Menor que 6%. Assim deve ser a taxa de crescimento de casos de coronavírus por dia, na Bahia 

Só entram no cálculo os casos que são oficialmente notificados. E já se sabe que a Covid-19 possui uma considerável taxa de subnotificação. As estimativas do Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde (NOIS) - grupo que reúne pesquisadores da USP, PUC, UFRJ e Fiocruz, dentre outras instituições - apontam para a existência de 12 vezes mais casos de coronavírus que os registrados oficialmente. Como os baianos podem contribuir para que se diminua essa taxa de crescimento? 

A Bahia, assim como os outros estados brasileiros, ainda não promoveu o lockdown – termo usado para referenciar o bloqueio total da circulação de pessoas em um local. Alguns países tiveram que fazer isso, como a Itália, pois não conseguiam ver o número de novos casos de coronavírus por dia diminuirem. 

“O objetivo do distanciamento social é exatamente diminuir essa velocidade de transmissão”, afirmou a infectologista Adielma Nizarala. Ela faz parte da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (SMS) e explica as atitudes tomadas pelo município. 

“Nós orientamos o distanciamento social e fizemos decretos para diminuir a circulação de pessoas, mas não proibimos ninguém de sair de casa. O grande problema é que pessoas têm circulado nas ruas sem necessidade. O isolamento domiciliar é a forma mais eficaz de diminuir o contato entre as pessoas e diminuir a velocidade de transmissão”. 

No levantamento feito pelo CORREIO, Salvador é a terceira cidade da Bahia que mais tem contribuído para o aumento dos casos de coronavírus no estado. A capital baiana só perde para dois municípios do interior que têm preocupado as autoridades estaduais: Itabuna e Ilhéus. 

Separadas por 32 quilômetros de distâncias, as duas cidades viram o número de novos casos explodirem nos últimos dias. Itabuna já possui 159 pessoas com Covid-19, enquanto Ilhéus tem 193. A taxa média de crescimento do coronavírus por dia é de 13,98%, em Itabuna, e 11,99%, em Ilhéus - Salvador possui 9,52%. 

Essa realidade das duas cidades do sul baiano tem preocupado municípios vizinhos, como Itajuípe, que determinou um “toque de recolher”. A partir desta quarta-feira, quem estiver nas ruas da cidade entre 21h e 5h, sem comprovar uma necessidade ou urgência, pode ser multado. A cidade de cerca de 20 mil habitantes já possui oito casos de coronavírus confirmados. 

A assessoria da Prefeitura de Itabuna disse que está capacitando os profissionais que trabalham na rede de saúde do município. Já o secretário de saúde de Ilhéus, Geraldo Magela, destacou as ações que o município tem feito para conseguir diminuir a taxa de crescimento dos casos. 

“Estamos fazendo bloqueios sanitários por quarteirão, nos locais onde tem infectado. O uso da máscara também é obrigatório na cidade. Nosso principal problema é o de aglomeração em lotéricas e bancos, pois 6h já tem fila formada. Dos bancos já foram multados. Outros 200 bares também foram penalizados por não cumprir o decreto de abertura apenas dos serviços essenciais”, disse Magela. 

Para a infectologista Adielma Nizarala, o que importa mesmo é o cidadão ficar em casa e só sair quando for realmente necessário. “O uso da máscara também traz a falsa ideia de que, portando esse equipamento de proteção, eu posso sair normalmente. Não! A máscara é para ser usada na situação que você precisa ir na rua fazer algo indispensável”, explicou. 

Além de Itabuna, Ilhéus e Salvador, as duas outras cidades baianas que possuem mais casos de Covid-19 são Feira de Santana e Lauro de Freitas. A Princesinha do Sertão foi, inclusive, a primeira cidade da Bahia que teve um caso da doença confirmado, no dia 6 de março, mas a cidade tem conseguido controlar a curva de crescimento da doença, que hoje é de 5,33%, conforme calculado pelo CORREIO. 

Esse número corresponde à média de todas as taxas de crescimento diárias desde quando a cidade atingiu o seu vigésimo caso, o que em Feira de Santana foi no dia 3 de abril. 

Já o vigésimo caso de Lauro de Freitas foi registrado no dia 13 do mesmo mês. Hoje, a cidade já está com 45 pessoas com a Covid-19 - Feira de Santana tem 67 – e com taxa de crescimento média de 4,81%. 

Mesmo com ambos os índices abaixo do 6%, considerado ideal pelo Governo do Estado, as duas prefeituras preferem manter a cautela e as medidas de distanciamento social para que essa taxa não volte a subir. 

“A consciência tem aumentado, mas ainda vemos pessoas resistentes, que não acreditam que o coronavírus mata. Se aumentar o número de casos, vamos ser obrigado a tomar medidas restritivas mais duras. Máscara sozinha não resolve. É preciso manter o distanciamento e evitar aglomerações”, disse o prefeito de Feira, Colbert Martins (MDB). 

Já a assessoria da Prefeitura de Lauro de Freitas destacou que 16 decretos já foram regulamentados para estimular o uso da máscara e restringir ou suspender o funcionamento do comércio e escolas na cidade. Além disso, a prefeitura tem feito a higienização de estações de transporte, passarelas e praças da cidade com hipoclorito de sódio.

 

FONTE: www.correio24horas.com.br  
 
 

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