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Apoio à candidatura de Bruno Reis ameaça relação de PDT e PL com governo
Quinta-Feira, 03 de Setembro de 2020

Tentando ampliar o apoio às pré-candidaturas a prefeito da base, o governador Rui Costa (PT) deu uma declaração nesta terça-feira, 2, que soou como um ultimato aos partidos da base que podem desembarcar do governo em Salvador e apoiar a candidatura de Bruno Reis (DEM).

O Partido Liberal (PL) e o Partido Democrático Trabalhistas (PDT) estão com conversas adiantadas com o candidato do Democratas.

“As pessoas têm que escolher qual projeto que querem seguir, cada um é livre para fazer opção. Não pressione ninguém, cada um é livre para fazer suas escolhas eu também farei as minhas. Sou livre para escolher meus assessores. Os meus assessores são aqueles que têm integralmente a minha confiança e se algum momento deixar de ter, deixará de ser meu assessor”, sinalizou Rui Costa, durante entrega de uma Unidade de Emergência em Salvador.

No acordo com o governo petista, o PDT faz a gestão da Junta Comercial da Bahia (Juceb) e o PL de parte da Secretaria de Turismo (Seltur), secretarias tidas como secundárias pelo número reduzido de cargos de confiança.

O presidente estadual do PDT, o deputado federal Félix Mendonça (PDT), não teme a ameaça da retirada de cargo comissionados sinalizada pelo governador.

“Não tenho temor nenhum, mas se um eventual apoio afetar essa relação, paciência. Isso cabe ao governador, se ele achar que houve uma quebra de confiança, depois de termos depositado essa confiança em 2006 e 2010, apoiando Jaques Wagner (PT), e em 2014 e 2018, com ele. acontecendo, cabe a ele analisar”, pontua Mendonça.

Félix afirma que um eventual rompimento entre PT e PDT no estado não viria por parte da legenda. “Mostramos por fatos e por apoios que estamos com o governador, agora, se a decisão de Salvador mudar, cabe ao governador decidir”, destaca o presidente estadual do PDT. O deputado federal questiona se o parâmetro a ser aplicado em Salvador valeria para o governo federal. “Agora, não seria uma quebra de confiança o apoio de partidos da base ao Bolsonaro em Brasília?”.

O líder do PDT Bahia ressalta que a decisão do apoio ao candidato do prefeito ACM Neto (DEM) virá de um alinhamento do diretórios do estado ao nacional, mas não descarta que o partido possa fazer parte da chapa de Bruno Reis e, inclusive, de indicar um ocupante para o cargo de vice-prefeito. “Assim como o Bruno [Reis] está costurando o seu arco de apoio, o PDT e a nacional está costurando também. O martelo será batido e a ponta dobrada somente quando tiver os anúncios”.

Diretriz para Salvador

O presidente do PL na Bahia, o ex-deputado José Carlos Araújo, em Brasília para saber qual será a diretriz para Salvador com o diretório nacional e com os deputados federais do estado, falou ao A TARDE e disse acreditar que a frase do governador não foi direcionada para legenda, que no estado é formada por “aliados do governador e não de assessores dele”.

Ele explica que abertura de diálogos com Bruno Reis partiu do presidente do diretório da legenda em Salvador, o deputado federal Abílio Santana (PL).

“Sou da base do prefeito ACM Neto e, como disse certa vez, sou Neto até debaixo d'água. Estou com Bruno por entender que é o melhor para Salvador. Fez escola com Neto e está pronto para dar continuidade a melhor gestão do Brasil”, afirmou Santana, reforçando o apoio do diretório de Salvador à candidatura de Bruno Reis.

Araújo explica que estava há um ano tentando marcar um reunião com o governador, ocorrida há cerca de 20 dias, para tratar da sucessão em Salvador. No primeiro semestre, o presidente do PL na Bahia chegou a oferecer o nome do ex-deputado federal e pastor, Irmão Lázaro (PL), para ocupar uma cabeça de chapa, possibilitando até que ele migrasse para o PT.

“Tentei várias vezes, pedindo audiência e o governador muito atarefado. Aí veio a pandemia e o governador não teve tempo e não chamou para conversar. O tempo foi passando e os deputado e as pessoas começaram a ficar inquietas, passando a costurar individualmente como seria o jogo em Salvador”, explica o presidente do PL.

Apesar de render boas sinalizações, o líder do PL no estado avalia que a reunião com Rui Costa aconteceu muito tarde. Ele afirma que não houve diálogos entre ele o pré-candidato do prefeito ACM Neto, e que não tem posição formada sobre o tema, mas indica que existe um forte movimento no partido para fechar com Bruno Reis.

Araújo ressalta que o PL é um partido “aliado, desde o segundo governo Wagner”. Ele lembra que a legenda esteve “nos dois governos de Rui Costa”, e garante que “continuamos na base” e acredita que “devemos continuar”.

“A eleição não é só municipal, o mais importante vem aí, é em 2022. O governador não quer o PL e o PDT como aliados em 2022? Não é culpa nossa se fomos atropelados pelas coisas que aconteceram, o próprio governador deixou a coisa muito solta… Agora que tomou as rédea da eleição”, diz Araújo.

Araújo avalia que Rui Costa “é um homem inteligente e um político hábil”, que não vai querer “romper laços, bons relacionamentos” por causa da eleição em Salvador. Ele lembra que em alguns municípios da Bahia, o PL realizou aliança com o PT para 2020.

 

FONTE: atarde.uol.com.br  
 
 

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