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Sem tarefa escolar, ‘geração Covid’ ganhará menos e será mais desigual
Quarta-Feira, 21 de Outubro de 2020

O fechamento das escolas e a omissão de alguns estados e municípios durante a pandemia da Covid-19 aprofundaram as desigualdades regionais no Brasil e devem ter impactos profundos sobre a renda futura dos atuais estudantes.

Não só a classe A/B estudou mais em 2020 como os estados mais pobres ofereceram muito menos atividades escolares na rede pública a seus alunos.

Em média, cada ano de ensino a mais no Brasil representa ganho de 15% no salário futuro e 8% mais chance de conseguir um emprego. Mas, em 2020, uma massa enorme de crianças no ensino fundamental, e jovens no ensino médio, majoritariamente na rede pública, nem sequer teve a alternativa de estudar em casa.

No Pará, 62,6% dos jovens entre 16 e 17 anos não receberam atividades escolares das redes de ensino. Na Bahia, 45,3%.

No outro extremo, apenas 2,5% do jovens em Santa Catarina, e 3,2% no Paraná, ficaram sem tarefas enviadas pelas escolas.

Os alunos de locais menos atendidos por governadores e prefeitos pela educação a distância também estão estudando bem menos horas diárias que seus conterrâneos da classe A/B.

Em Alagoas, por exemplo, o segundo estado com mais pessoas na extrema pobreza no país (Maranhão é o primeiro), foram os alunos da classe A/B os que estudaram mais horas no mês de agosto.

“Se existia alguma coisa que ainda melhorava no Brasil em termos de desigualdade era a educação. Agora, isso também está sendo quebrado pela pandemia”, diz Marcelo Neri, diretor da FGV Social. “Como preditor da desigualdade futura, o nível educacional é o melhor de todos. A Covid deixará uma cicatriz importante também para o mercado de trabalho.”

Neri ressalta que, até 2017, foram os jovens com idades entre 14 e 19 anos os que mais perderam renda do trabalho como consequência da última recessão (2014-2016). Agora, são eles novamente os mais afetados pela perda do ano escolar.

A FGV Social destaca que o governo federal também teve responsabilidade em não coordenar uma resposta em nível nacional na área da educação.

Até a segunda semana de outubro, segundo o portal Monitoramento dos Gastos da União com Combate à Covid-19, enquanto as despesas totais no enfrentamento à epidemia somavam R$ 448 bilhões, o Ministério da Educação acumula gastos de apenas R$ 479 milhões.

Para o economista Naercio Menezes, pesquisador do Centro de Gestão e Políticas Públicas do Insper, a “geração coronavírus” provavelmente será menos produtiva e mais desigual em relação às anteriores e posteriores.

“Muitos alunos provavelmente abandonarão a escola, especialmente os mais velhos, assim que o mercado de trabalho ou o crime organizado oferecerem mais oportunidades”, afirma.

Menezes defende que, para evitar mais evasão escolar, os estados e municípios decidam por não reprovar nenhum de seus alunos diante das condições a que eles foram submetidos em 2020.

 

FONTE: politicalivre.com.br  
 
 

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