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Estado de alerta: variante do coronavírus de Manaus chega à Bahia
O Lacen-BA identificou, ontem (05), a circulação da mesma linhagem do SARS-CoV-2 (Covid-19) presente em Manaus e que é considerada mais infecciosa.
Sábado, 06 de Fevereiro de 2021

Como se não bastassem todas as mortes já causadas pela Covid-19 no estado, a Bahia agora precisa estar atenta à nova variante da doença, detectada inicialmente no Norte do país. O Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (Lacen-BA) identificou, ontem (05), a circulação da mesma linhagem do SARS-CoV-2 (Covid-19) presente em Manaus e que é considerada mais infecciosa. Das 32 amostras sequenciadas geneticamente, dez apresentaram a variante denominada P.1, sendo esses os primeiros registros oficiais de que a mutação teria chegado à Bahia.

A diretora da Vigilância Epidemiológica do Estado, Márcia São Pedro, comenta sobre os pacientes que foram diagnosticados com a nova variante e se há risco de já estar ocorrendo circulação da doença no estado. “Nós temos dez pacientes que vieram da região amazônica para a Bahia em viagem de férias, passaram por Salvador, Irecê e João Dourado. Esses casos estão sendo monitorados pelas Vigilâncias Epidemiológicas municipais e um caso já está retornando para Manaus. Esses pacientes se encontram em acompanhamento. Corre o risco de a variante estar circulando [na Bahia], estamos falando de um vírus em que há uma transmissão de contato, de pessoa para pessoa. As pessoas vieram de viagem e entraram em contato com outras”.

Márcia São Pedro orienta ainda sobre o que deve ser feito para evitar a disseminação da variante. “É extremamente importante que mantenhamos o uso da máscara, o distanciamento [social], e para que a gente possa conter essa pandemia, cada vez mais é necessário avançarmos na vacinação. Para isso, é necessário que o Ministério [da Saúde] envie as doses de vacina para que seja ampliada a nossa faixa-etária e o nosso público-alvo”. A diretora de Vigilância Epidemiológica afirma que o Lacen-Ba está fazendo a vigilância laboratorial para identificar novas cepas que possam surgir no estado.

O posicionamento do secretário da Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, converge com a fala de Márcia São Pedro. ““Somos o segundo estado do Brasil em número de doses aplicadas, com mais de 254 mil baianos imunizados. Porém, o Ministério da Saúde precisa enviar mais doses, pois somente o grupo prioritário perfaz mais de 5 milhões de pessoas na Bahia”, avalia. A diretora geral do Lacen-BA, Arabela Leal, destaca que os outros 22 genomas sequenciados não são da variante de Manaus, nem do Reino Unido ou África do Sul. “Elas já eram circulantes no estado e foram coletadas de pacientes com sintomas clínicos característicos da Covid-19”, comenta Leal.

SEQUENCIAMENTO GENÉTICO

De acordo com informações divulgadas pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), a variante P.1 é derivada de uma das variantes predominantes no País, a B.1.1.28. O potencial de transmissão dela pode ser maior devido à mutação N501Y, presente nas variantes identificadas no Reino Unido e na África do Sul. A faixa etária dos pacientes diagnosticados com a variante P.1 vai de 7 a 66 anos, sendo sete pessoas do sexo masculino e três do sexo feminino. As amostras que testaram positivo para a variante de Manaus foram coletadas em unidades públicas e privadas, sendo, respectivamente, sete e três.

O Lacen-BA, que é a terceira maior unidade de vigilância laboratorial do país e classificado na categoria máxima de qualidade pelo Ministério da Saúde, concluiu o sequenciamento de 80 genomas do SARS-CoV-2 referentes aos últimos cinco meses e iniciará o sequenciamento de 300 novas amostras dos estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Piauí, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Até ontem, a Sesab havia registrado 602.792 casos de coronavírus em todo o estado, com o total de 13.283 casos ativos e 10.294 óbitos. A taxa de ocupação de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para adultos, está em 72%. Até a data, 351.500 doses de vacinas haviam sidos distribuídas na Bahia e 276.038 pessoas haviam sido vacinadas em todo o estado.

DISSEMINAÇÃO NO BRASIL E NO MUNDO

Em entrevista para o jornal O Globo, o infectologista da Fiocruz-AM, Marcos Lacerda, disse que a variante do novo coronavírus que foi detectada em Manaus - cidade que enfrenta um colapso no sistema de saúde - poderá ser predominante no Brasil em um mês. Para o especialista, falta pouco tempo para que isso aconteça. A cepa já foi registrada em capitais brasileiras como São Paulo, Teresina e Salvador, além de outros países como Itália, Estados Unidos, Alemanha e Japão.

 

FONTE: www.trbn.com.br  
 
 

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