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Estudo diz que baiano vive em média 69,14 anos
As maiores expectativas de vida foram encontradas no Panamá, Chile e Costa Rica (81 a 82 anos para mulheres e 75 a 77 para homens).
Terça-Feira, 09 de Fevereiro de 2021

Dentro do mesmo Brasil, um homem em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, chega a viver, em média, quase 10 anos a mais do que um em Itabuna, na Bahia. Uma mulher da mesma cidade gaúcha pode viver até sete anos além de uma moradora de Guarapuava, que fica apenas no Estado vizinho, o Paraná.

Normalmente, a expectativa de vida de um país é um indicador usado para dar uma ideia tanto da saúde de uma população quanto de outros fatores — econômicos e sociais — que tornam possível que homens e mulheres cheguem a determinada idade.

No entanto, esse parâmetro esconde a imensa variabilidade que existe dentro de um mesmo país e de uma região.

É esse o objeto de um estudo publicado na revista Nature Medicine, que analisa a longevidade e as causas de morte em 363 cidades de nove países na América Latina, com dados até 2016.

Dentro dos países, as maiores variações de expectativa de vida para mulheres foram observadas no Brasil (6,4 anos) e no Peru (6,6 anos) e, para homens, no Brasil (8,6 anos) e no México (10,4 anos).

Alguns dados da Bahia são relevantes. Entre homens, em Salvador eles têm expectativa de vida de 69,14, em Feira de 68,2, Jequié, 68,34 e Vitória da Conquista 60,04. No sul do estado, Itabuna tem expectativa de 66,33 e Porto Seguro de 67,74; e no oeste, Barreiras tem um dos melhores índices chegando a 68,98 anos. Importante frisar que números da violência pesam bastante nestes cálculos, principalmente entre os jovens.

As maiores expectativas de vida foram encontradas no Panamá, Chile e Costa Rica (81 a 82 anos para mulheres e 75 a 77 para homens).

No México, Brasil e Peru, estão as cidades com as menores expectativas de vida médias para mulheres (77 a 78 anos). Já os homens vivem menos, em média, no México, Brasil e El Salvador (71 anos).

Para cada país, no entanto, esse padrão varia de acordo com as regiões.

No caso do Brasil, a expectativa de vida média aumenta do Norte para o Sul do país. Em Salvador, as mulheres têm expectativa de vida de 78,83 anos, quase uma década a mais que os homens. Em Feira de Santana a média é de 78,16 anos, em Ilhéus de 76,45 anos, Em Jequié, 77,84, em Conquista de 77,92 e em Porto Seguro, 77,15. Por fim em Barreiras, no oeste, a expectativa 78,07.

"Os padrões que encontramos não surpreendem as pessoas que conhecem o Brasil. Mas nos surpreendeu a magnitude da diferença. Esperávamos encontrar alguma diferença entre as cidades, mas não tanta", disse à BBC News Brasil Usama Bilal, pesquisador da Universidade de Drexel, nos Estados Unidos, e coautor do projeto Saúde Urbana na América Latina (Salurbal, na sigla em espanhol).

"Mesmo que as pessoas saibam que existem diferenças entre regiões, entender que há cidades em que as pessoas têm quase uma década menos de vida é algo poderoso. Se está na Constituição do país que todos têm direito à saúde, onde está esse direito diante de uma diferença como esta?", questiona.

Do que as pessoas morrem?

Além da expectativa de vida em anos, o grupo de pesquisadores também se debruçou sobre as principais causas de morte em cada uma das cidades.

"No Brasil, o padrão é quase como uma espiral. Começa com uma proporção maior de mortes por doenças transmissíveis no Norte, depois mais violência no Nordeste, mais doenças não infecciosas e cardiovasculares no Sudeste e mais câncer no Sul. Isso também segue, de certo modo, os padrões de nível sócio-econômico das regiões", explica Usama Bilal.  "Claro que aqui estamos falando de mortes totais, não estamos falando das causas específicas de tipos de câncer, que são variadas."

 

FONTE: www.trbn.com.br  
 
 

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