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Prepare o bolso: gás de cozinha aumenta pela quarta vez só neste ano
Quarta-Feira, 07 de Abril de 2021

Quando se ouve a expressão “dar um gás”, logo se pensa num incentivo para seguir em frente. Porém, nas residências baianas, esse botijão não aparece de graça: pelo contrário, o preço só tem aumentado. Se antes da pandemia o consumidor encontrava um “bujão” padrão de 13 kg por uma média de R$ 75, hoje o preço pode passar dos R$ 90. Deste modo, tomar aquele banho quente ou fazer uma comida baiana na sexta-feira pode virar luxo. O gás liquefeito de petróleo (GLP) sofreu um novo reajuste na última sexta-feira (02), acumulando uma alta de 10% nos quatro primeiros meses de 2021 em Salvador. Este é o quarto aumento seguido do item. Se forem considerados os últimos doze meses, a capital baiana teve um crescimento nos preços dos combustíveis maior do que a média nacional. Em nota, a Petrobrás justificou o novo aumento como parte do ‘câmbio flutuante’ do mercado. “Os preços praticados pela empresa têm como referência os preços de paridade de importação, dessa maneira, acompanham as variações do valor do produto no mercado internacional e da taxa de câmbio, para cima e para baixo”, disse a companhia, citando outros fatores que influenciariam no preço para o consumidor final, como as margens das distribuidoras e os tributos federais e estaduais.

Aumento indireto


No último levantamento realizado em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi revelado que o botijão de gás é o combustível mais utilizado pelas famílias, com 91% de presença nas cozinhas domésticas. Já o chamado gás encanado responde por apenas 8% do uso comum, normalmente mais presente em residências de poder aquisitivo mais alto. Ainda assim, não é só na hora de cozinhar que as famílias vão sentir o bolso mais pesado. Além do “bujão” de 13 kg, o gás natural também não escapou da alta nos preços: na última segunda-feira (5), a Petrobrás anunciou um aumento de 39% nesta categoria de combustível, que vai entrar em vigor a partir do dia 1º de maio. Embora não seja tão consumido nas casas, o consumidor final irá pagar também por este reajuste, de forma indireta, a começar pelo preço dos produtos industrializados. “Existe uma vasta produção industrial que utiliza gás encanado como recurso energético. Setores que são muito dependentes do gás natural acabam absorvendo esse aumento em seus custos e repassando isso aos produtos”, explicou André Braz, coordenador de preços no Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV).

“Assustador”

Não importa se o uso dos botijões domésticos é para cozinhar o trivial ou para sustentar um pequeno negócio: a escalada nos preços tem deixado os consumidores de cabelo em pé. A produtora cultural Vanessa Avelar vive com a mãe e relata que o “bujão” costuma durar uma média de dois meses, mas ainda assim fica perplexa com o aumento. “Esse preço assusta até a gente, que usa pouco o gás”, comentou. “Na casa do meu namorado vivem seis pessoas e o gás voa”. Em Itacaranha, bairro do Subúrbio onde reside, ela relata encontrar o botijão de 13 kg por uma média de R$ 90. Para a salgadeira Aldinei da Silva, tem sido cada vez mais difícil segurar os preços dos produtos que vende na Cidade Baixa. Ela tem um pequeno negócio de doces e salgados por encomenda, e em períodos de grande movimento o “bujão” dura menos de um mês. Na última compra, ela desembolsou R$ 92 no combustível para cozinhar e trabalhar. “Quando a gente cobra R$ 100, R$ 120 num bolo, o povo acha que está caro”, reclama. Desde o começo da pandemia do novo coronavírus, ela tem se esforçado para não aumentar os preços; com a queda nas encomendas, cada pedido fechado conta. “O preço das coisas não é só o material. O gás sobe toda hora e isso conta muito”.

Criatividade

Nas distribuidoras consultadas pela Tribuna, o preço do gás de cozinha para o consumidor sofre pequenas variações de acordo com a forma de pagamento e o meio de entrega. Se a intenção é economizar, a alternativa é pagar em dinheiro, o que dá um desconto de até R$ 5 na conta; além disso, o cliente pode ir até a distribuidora buscar o botijão. Com o cenário pedindo por uma exposição menor nas ruas, a saída encontrada pelas lojas que vendem o “bujão” é fidelizar o cliente, com possibilidade de desconto nas próximas compras. A distribuidora Maná, que atende aos bairros de São Cristóvão e vizinhanças, conseguiu segurar o aumento por alguns dias e oferece R$ 7 de desconto se o pedido for realizado através do WhatsApp da empresa: se o consumidor pagar em dinheiro, pode conseguir o botijão de 13 kg por R$ 82; no cartão de débito, o preço sobe para R$ 85. Sem o desconto, os preços passam para R$ 89 e R$ 92. “Temos que contar com a ajuda de Deus e a criatividade”, diz a distribuidora, que atualiza os clientes nas redes sociais sobre promoções pontuais.

 

FONTE: www.trbn.com.br  
 
 

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