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Ações solidárias combatem fome na pandemia
Domingo, 11 de Abril de 2021

A fome atingiu 19 milhões de brasileiros na pandemia em 2020. São 116,8 milhões de pessoas com algum grau de insegurança alimentar no país, o que corresponde a 55,2% dos domicílios. No Nordeste, os moradores de 25% dos domicílios sobrevivem com rendimentos mensais iguais ou abaixo de 24% do salário mínimo per capita, o que configura risco grave para a fome. Os dados são do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, divulgado na semana passada e conduzido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan). Para tentar amenizar o cenário, projetos sociais fazem campanhas de arrecadação e distribuição de alimentos na Bahia.

Com a pandemia e a consequente necessidade de ficar em casa, a jovem Bruna Alexandrino, 24, ficou impossibilitada de realizar os serviços domésticos que garantiam a renda da casa onde morava. Hoje, ela vive na casa da sogra com o marido, o autônomo Jocsã Sales, 26, e os três filhos pequenos,  Dandhara, de oito meses, Hugo, de 2 anos, e  Enzo, de 5 anos. Com a renda mensal da casa em um salário mínimo, Bruna depende da doação de cestas básicas para não deixar faltar comida na mesa.

“É um momento muito difícil. A gente fica com medo e a apreensão de faltar comida, principalmente para os pequenos. Os alimentos que recebo das doações são essenciais. Tem hora que falta também materiais de limpeza, higiene. Itens que preocupam em momento de pandemia e necessidade de maior cuidado”, conta Bruna.

Rede solidária

Moradora de Paripe, Bruna recebe uma cesta básica mensal do projeto Doe Solidariedade Salvador, organizado pela Federação das Associações de Bairros de Salvador (Fabs) e entidades parceiras, como a Associação 8 de Dezembro. A diretora de comunicação da Fabs, Aline Lima, explica que atualmente o projeto ajuda 10 famílias de Paripe, mas tem amplitude de assistência para 300 famílias em outros bairros da capital. Segundo Aline, após pouco mais de um ano de pandemia, o projeto enfrenta queda de arrecadação e precisa de doações para manter e ampliar a rede de solidariedade.

“A campanha já tem cerca de um ano, mas passa pelo seu momento mais delicado. Com o avanço da pandemia, algumas pessoas ficaram sem condição de continuar doando. Então toda ajuda é válida”, explica Aline. Representante da Associação 8 de Dezembro, Maria das Graças cita outro cenário preocupante: “Com a perda de emprego e renda, consequência da pandemia, existem pessoas que doaram e hoje precisam de ajuda para não passar fome”.
Existem pessoas que doaram e hoje precisam de ajuda para não passar fome
Maria das Graças - Associação 8 de Dezembro

Joneide Roquelina, 51, moradora de Paripe, é uma dessas pessoas. “Sempre quando pode, a gente tenta ajudar um ao outro, pois muitas famílias estão enfrentando a fome. No entanto, como estou desempregada e cuido da minha mãe em casa, a Joselita, de 78, já está faltando o que colocar no prato. E as doações ajudam muito”. Ana Maria dos Santos, 60, moradora do bairro há 30 anos, vive o mesmo problema da insegurança alimentar. “Na medida do possível, a gente pede forças a Deus para seguir lutando. Entre filhos e netos, moro numa casa com cinco pessoas, cuja única renda é o que consigo do Bolsa Família”, desabafa Ana.

Para a vice-coordenadora da Rede Penssan, a nutricionista Sandra Bastos, a baixa renda é fator determinante para a insegurança alimentar. “Quando a gente fala que o Nordeste tem 25% de domicílios com rendimento mensal igual ou abaixo de 24% do salário mínimo per capita, estamos diante de um cenário preocupante. Precisamos de políticas públicas que garantam o direito básico da alimentação. E não estou falando apenas de ações como os restaurantes populares, mas o trabalho conjunto de distribuição de cestas básicas, proteção de pequenos e médios negócios, que geram empregos locais”, explica Sandra.

PODERES PÚBLICOS INVESTEM

Desde de março de 2020, com o início da pandemia, tanto na capital quanto no interior, a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS) afirma que o orçamento foi direcionado às ações de enfrentamento à fome e à vulnerabilidade social. Segundo o órgão, no primeiro trimestre de 2021, os restaurantes populares mantidos pelo Governo da Bahia em Salvador já serviram 311.535 mil refeições. Nos restaurantes populares, a pessoa paga o valor simbólico de R$ 1,00 pela refeição. As crianças menores de 5 anos são atendidas gratuitamente.

Ainda segundo a Secretaria, nos três primeiros meses do ano, o Programa de Aquisição de Alimentos realizou a compra e doação de pouco mais de 1 milhão de quilos de alimentos e 784 mil litros de leite para os baianos, um investimento de mais de R$ 5,4 milhões. Mais de 55 mil famílias baianas foram beneficiadas em 2021. O programa de distribuição de alimentos está presente em 263 municípios baianos, enquanto a entrega de leite ocorre em 89 cidades do estado.

"A pandemia trouxe inúmeros desafios para a garantia de direitos das pessoas em situações de vulnerabilidade socioeconômica. E nossas ações estão voltadas para a garantia de direitos básicos como a alimentação. O problema da fome na Bahia é grave. Quase 40% da nossa população vive no semiárido. 13% dos baianos estão entre a situação de pobreza e extrema pobreza. Por isso, vamos manter e fortalecer as ações sociais", explica Carlos Martins, titular da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social."
13% dos baianos estão entre a situação de pobreza e extrema pobreza
Carlos Martins, titular da SJDHDS

Com o agravamento da pandemia do coronavírus na capital baiana, uma nota da Prefeitura afirma que são distribuídas 700 refeições diárias nos restaurantes populares de Salvador, localizados em Pau da Lima e São Tomé de Paripe, de segunda a sexta-feira, das 11h30 às 13h30. Ainda segundo a Prefeitura, desde o começo da pandemia, mais de 687.257 refeições foram distribuídas para a população.

 

FONTE: atarde.uol.com.br  
 
 

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