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Wagner tentará repetir feito de apenas dois governadores
Jaques Wagner tentará repetir em 2022 um feito conquistado por apenas dois governadores na história da política baiana – retornar ao poder pelo voto popular
Sexta-Feira, 25 de Junho de 2021

Com a missão de manter o grupo político unido e no poder, o senador Jaques Wagner (PT) tentará repetir em 2022 um feito conquistado por apenas dois governadores na história da política baiana – retornar ao poder pelo voto popular. Em quase um século e meio de República, somente J.J Seabra e Paulo Souto foram eleitos diretamente, e conseguiram voltar ao comando da Bahia também com apoio do povo.

Eleito pela primeira vez para governador em 1912, J.J Seabra, ao encerrar o mandato, quatro anos depois, elegeu o sucessor Antônio Moniz. Contam as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling que a “única função” de Antônio Moniz “diziam à boca pequena, em Salvador, era guardar o lugar para (Seabra) voltar, na eleição seguinte, ao Palacete das Mercês”. “E foi exatamente o que aconteceu, em 1919. Seabra se lançou candidato ao governo estadual e derrotou, na disputa, o juiz Paulo Fontes, apoiado por Rui Barbosa”, escreveram elas.

Seabra retornaria ao poder, em um ambiente político conturbado, e sua vitória foi contestada por jornais e opositores na época. Oitenta anos depois, Paulo Souto repetiria o feito de Seabra. Eleito governador pela primeira vez em 1994, com apoio de ACM, Souto voltou ao Palácio de Ondina em 2002 – a nova moradora dos chefes baianos. Ele venceria o petista Jaques Wagner. Souto quis ainda ser administrador estadual em 2006, 2010 e 2014, mas fracassou nos pleitos. “Os governadores tentam voltar porque ambiciona o poder, o controle do Estado e o legado histórico que vão deixar”, explica à Tribuna o professor de História, Vinicius Jacob.

Outros políticos baianos também conseguiram chefiar a Bahia por mais de uma ocasião, mas nem sempre com apoio popular. É o caso de Antonio Carlos Magalhães. ACM chegou ao Executivo estadual na década de 1970, durante a ditadura militar. Teve dois mandatos no regime militar, e conquistou mais um nos anos de 1990. Desta vez, pelo voto direto. Antes dele, o tenente Juraci Magalhães foi nomeado interventor federal pelo presidente Getúlio Vargas. Depois de governar indiretamente o estado, Juraci tentou ser eleito pelo voto popular em 1950, mas perdeu para Régis Pacheco. Oito anos depois, o militar foi candidato novamente, e venceu a disputa contra o engenheiro José Pedreira de Freitas.

No próximo ano, Wagner tentará pela quarta vez o governo baiano. Depois de ser derrotado em 2002, venceu em 2006 e 2010. Em 2014, o hoje senador elegeu o sucessor Rui Costa (PT), que foi reeleito. A candidatura do petista não é uma unanimidade no grupo político. É contestada, sobretudo, por lideranças do PSD, que desejam lançar o senador Otto Alencar para o Palácio de Ondina. A família de Wagner também resiste à tentativa do senador de obter mais um mandato. O petista tem dito, no entanto, que sua postulação se faz necessária para manter a base política unida e no poder.

 

FONTE: www.trbn.com.br  
 
 

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