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Mortandade de abelhas na Bahia preocupa ambientalistas
Estado está entre os cinco que mais mata insetos com agrotóxicos
Quinta-Feira, 19 de Agosto de 2021

Nos últimos anos, milhões de abelhas vêm sendo encontradas sem vida no mundo todo. Estima-se que existem mais de 20 mil espécies no mundo catalogadas. Só no Brasil são 350 tipos sem ferrão que estão desaparecendo e colocando em risco a segurança alimentar de milhões de brasileiros. Segundo a professora Genna Sousa, bióloga, pesquisadora e coordenadora do Setor de Meliponicultura da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), a Bahia está entre os cinco estados brasileiros que mais mata abelhas com agrotóxicos.

“Infelizmente, se somarmos o total de 2015 até 2021 temos mais de meio bilhão de abelhas mortas por causa dos agrotóxicos na Bahia. Só esse ano foram 75 milhões de insetos mortos. A Bahia está entre os cinco estados que mais mata abelhas com agrotóxicos. Isso é preocupante, pois só ficamos atrás de São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso’, afirmou a bióloga que discutiu o assunto no Fórum Baiano de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, Transgênicos e Pela Agroecologia (FBCA) realizado ontem (18). No debate, que contou com a participação de especialistas e pesquisadores da Bahia e de todo o Brasil, foram tratados temas como os problemas causados pelos agrotóxicos nas abelhas, nas comunidades e ecossistemas relacionados à apicultura e à meliponicultura no estado da Bahia.

Conforme ainda apontou a bióloga, que é uma das maiores especialistas em abelhas sem ferrão do mundo, os agrotóxicos podem prejudicar as abelhas de forma letal com a morte instantânea ou de forma subletal, na qual elas levam os resíduos para as colônias e matam outras. “Existem essas duas maneiras. Os mais letais agrotóxicos são Fipronil e Neonicotinoides. Esses são os que matam instantaneamente. Então, se as abelhas entrarem em contato com esses agrotóxicos vão acabar morrendo”, alertou Genna, que salientou ainda que de cinco ocorrências de mortes de abelhas neste ano na Bahia, quatro foram por contato com agrotóxicos e apenas uma por outras doenças. “É importante termos mais seminários como esse promovido pelo fórum para que possamos passar para os criadores de abelhas essas informações, sobretudo, relacionado a denunciar casos de mortandade de abelhas por intoxicação”, finalizou.

Participaram do evento, além da professora e bióloga, a fiscal estadual da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB) e coordenadora do Programa Estadual de Sanidade das Abelhas, Rejane Peixoto; o advogado e conselheiro do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável do Estado do Rio Grande do Sul, Leonardo Ferreira Pillon; o bacharel em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Márcio Pires de Oliveira; o professor e especialista em Abelhas Africanizadas, Lionel Segui Gonçalves; o advogado Ambientalista, membro do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos (FNCIAT), Cléber Folgado e o deputado estadual Marcelino Galo (PT).

No seminário, além de mobilizar abordagens aprofundadas sobre a temática com os participantes, foi lançado o Formulário de denúncias para casos de mortandade de abelhas por intoxicação, que está disponível no site do próprio FBCA. No evento, Genna lançou também o livro Meliponicultura Básica em que trata de temas como, por exemplo, polinização e plantas melitófilas, biologia básica das abelhas sem ferrão, origem da rainha, legislação da meliponicultura entre outros assuntos.

A.B.E.L.H.A

Estudos científicos mostram que 87% das plantas com flores dependem da polinização animal e que cerca de 75% dos cultivos agrícolas usados pelo homem são beneficiados por polinizadores animais. Para unir forças em prol da conservação das abelhas e outros polinizadores, a Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.) desenvolveu um selo para empresas, entidades e organizações que contribuem para a promoção da agricultura sustentável. O Selo Parceiros da A.B.E.L.H.A. reconhece as entidades e empresas que estão alinhadas ao compromisso com a conservação das abelhas e outros polinizadores.

 

FONTE: www.trbn.com.br  
 
 

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