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Logística nos trilhos
Bahia precisa de trens para escoar produção mineral; Porto Sul e Fiol dão esperança
Terça-Feira, 31 de Agosto de 2021

Terceira maior produtora mineral do País, a Bahia registrou um aumento de 53% na produção no primeiro semestre deste ano, segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM). Com a entrada da BAMIN no mercado do minério de ferro, o estado dará um salto ainda maior em nível nacional e internacional, mas, para isso, precisará vencer um antigo obstáculo ao desenvolvimento da economia: a falta de ferrovias e trens.

Especialistas no setor observam que uma malha ferroviária robusta é crucial para escoar os produtos minerais com preços competitivos no mercado de commodities. Com o apoio da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), os empresários baianos reivindicam investimentos nos trechos baianos da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA/VLI), que pleiteia renovação do contrato de concessão por mais 30 anos, contudo, ainda não apontou quais aportes foram feitos nos últimos 25 anos de outorga, e quais serão executados no futuro.

“A CBPM está nesse assunto porque para o desenvolvimento da Bahia e do setor minerário é essencial que a gente tenha trem. Como atender ao navio sem levar a carga para o porto?”, questiona o presidente da entidade, Antonio Carlos Tramm. Soma-se a isso o fato de que o Programa de Autorizações Ferroviárias anunciado recentemente pelo Ministério da Infraestrutura deixou de incluir os trechos baianos entre os seis do País que deverão receber recursos da ordem de R$ 31 bilhões.

Em live recente promovida pelo Crea-BA, o economista Bernardo Figueiredo apresentou uma visão de futuro para a FCA/VLI, ao lembrar que a ferrovia não ocupa o território todo, e que expandir esse modal trata-se de uma grande oportunidade para o Nordeste.

“É preciso remodelar a linha e interligar a Bahia à região Nordeste e ao resto do País, além de conectar também o estado com todo o sistema moderno de ferrovias que está sendo construído. A lógica econômica forte é que vai atrair investidores”, comentou.

PORTO SUL E FIOL

Enquanto a questão com a FCA/VLI não avança, com a finalização do trecho 1 da Ferrovia Oeste-Leste (Fiol) e sua ligação ao Porto Sul, terminal portuário em implantação pela BAMIN, em Ilhéus, a Bahia terá um dos mais importantes corredores logísticos do País. A ferrovia, com capacidade para 60 milhões de toneladas/ano é considerada fundamental para resolver o gargalo de escoamento de minérios e outros produtos como os grãos produzidos no Oeste baiano.
Com previsão de escoar 18 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, a BAMIN utilizará cerca de um terço da capacidade da Fiol. Os outros dois terços serão destinados ao transporte de outros minérios, grãos do agronegócio e fertilizantes, além de outros produtos. Sob investimentos de R$ 3,3 bilhões, o trecho 1 da ferrovia (537 km) foi arrematado pela BAMIN em leilão realizado pelo Governo Federal em abril, na B3 (Bolsa de Valores), em São Paulo.

GERAÇÃO DE EMPREGO E RENDA

A concessão é de 35 anos, sendo 5 para as obras e 30 para a gestão. O início das intervenções está previsto para 2022 e a conclusão para 2025. A ferrovia passará por 20 municípios e a estimativa do Ministério da Infraestrutura é de que durante as construções sejam gerados 55 mil empregos diretos e indiretos, o que contribuirá com a renda de milhares de famílias baianas.

 “Este é o primeiro passo para uma logística integrada de maior capacidade e eficiência. Com a concessão do trecho 1 da Ferrovia de Integração Oeste Leste (Fiol) e a construção do Porto Sul, em Ilhéus, vamos atingir a nossa capacidade máxima de produção e exportação, de 18 milhões de toneladas anuais de minério de ferro até 2026. A Fiol e o Porto Sul são fundamentais para consolidar um novo corredor logístico e de exportação para a mineração e o agronegócio da Bahia e do Brasil”, afirma o gerente-geral de Planejamento e Estratégia da BAMIN, Gustavo Cota.

NOVA DIMENSÃO

Como parte da logística integrada, em parceria com o governo do estado da Bahia, a Bamin está construindo o Porto Sul, em Ilhéus. A expectativa é de que em cinco anos o terminal portuário, com capacidade para até 42 milhões de toneladas anuais e navios de até 220 toneladas, já esteja em operação. A BAMIN utilizará 50% do potencial de cargas e a outra metade será destinada a outros produtos, como minérios, itens do agronegócio e fertilizantes.
“Tanto a Fiol quanto o Porto Sul irão contribuir definitivamente para o crescimento e o desenvolvimento sustentável na região. O estado da Bahia ocupará uma nova e importante dimensão na economia nacional, tornando-se também o terceiro maior produtor de minério de ferro do País, com produção de riquezas, distribuição de renda e de elevação do padrão de dignidade e de qualidade de vida para sua população”, acredita Eduardo Ledsham, CEO da BAMIN.

 

FONTE: www.correio24horas.com.br  
 
 

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