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Mais de 600 crianças ficaram órfãs por causa da Covid na Bahia
Levantamento de cartórios mostra que número de perdas chega a 12 mil em todo o Brasil e pode ser ainda maior por conta da subnotificação
Quinta-Feira, 14 de Outubro de 2021

Nada de abraços, brinquedos ou passeios em parques: por conta da pandemia do novo coronavírus, o Dia das Crianças foi mais triste para pelo menos 646 crianças de zero a seis anos na Bahia, que não puderam comemorar o seu dia com o pai, a mãe ou os dois genitores. A Associação Nacional dos Registradores das Pessoas Naturais (Arpen), que representa os cartórios de registro civil por todo o Brasil, fez um levantamento nas cinco regiões para saber mais sobre os ‘órfãos da pandemia’; descobriu-se que entre 16 de março de 2020 até 24 de setembro deste ano mais de 12 mil pequenos perderam seus pais para a Covid-19 no país. A pesquisa foi feita através do cruzamento do CPF dos pais nos registros de nascimento, que desde 2015 saem direto na certidão de recém-nascidos na Bahia.

A pesquisa feita pela Arpen mostrou que de cada cinco crianças que perderam os pais, uma não vai ter chance de mostrar que aprendeu a andar ou a falar: cerca de 25% dos ‘órfãos da Covid’ não chegou a completar um ano de idade. No panorama brasileiro, cinco pais não chegaram a conhecer o rosto de seus filhos por conta da agressividade do vírus. De acordo com a entidade representativa dos cartórios, este número mostra a profundidade das perdas e pode ser ainda maior, intensificado pela subnotificação. “Os dados mostram o quanto o vírus impactou diretamente nas famílias baianas. Poder ter essa parceria com a Receita Federal é de grande ajuda, pois conseguimos fazer um paralelo e chegar a números cada vez mais precisos”, frisou Daniel Sampaio, presidente da Arpen-BA.

Em vários Estados, iniciativas já começam a ser organizadas pelo Poder Legislativo para dar apoio a esse público tão vulnerável que se viu sozinho na maior crise sanitária da história recente. O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid deverá incluir um projeto de lei que prevê um pagamento de pensão aos ‘órfãos da pandemia’, além de um pedido de indenização às famílias que perderam entes para a doença. A proposta será discutida e aprovada no Congresso Nacional. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) disse estar disposto a discutir o assunto, depois de conversas com outros senadores. “Criar uma pensão especial de um salário mínimo para os órfãos cuja renda familiar não permita a sobrevivência até completar 21 anos de idade”, comentou o vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

 

FONTE: www.trbn.com.br  
 
 

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