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Rui diz que BA é prejudicada por 'meia dúzia de burocratas'
Segunda-Feira, 26 de Outubro de 2015

 Indignado com a recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) de não construir a Ferrovia Oeste-Leste (Fiol) em toda sua extensão e afirmando que a Bahia está sendo prejudicada "por meia dúzia de burocratas", o governador Rui Costa (PT) convocou as lideranças partidárias para participarem da reunião que terá, nesta quarta-feira, 28, às 11 horas, em Brasília, com o presidente do TCU, ministro baiano Aroldo Cedraz.

O governador afirma que a Bahia não vai acatar a posição do tribunal e que não cabe aos técnicos do órgão opinar sobre o projeto. Foram chamados todos os líderes de partido da bancada federal baiana na Câmara do Deputados, os três senadores, o presidente e os líderes do governo e da oposição na Assembleia Legislativa, além da presidente da Comissão Especial da Fiol na Assembleia.

Na  manhã desta segunda, 26, um pouco antes de agendar a reunião no TCU, Rui não escondeu sua irritação. "Vi pela imprensa que o TCU diz que a Fiol não deve ser construída na sua extensão total. Isso me causou profunda indignação. A Bahia não vai aceitar essa posição do TCU", afirmou o petista. O governador insinuou que o TCU - que rejeitou por unanimidade as contas de 2014 da presidente Dilma por ter cometido as "pedaladas fiscais" - não vem tendo uma postura estritamente técnica. "Não podemos ter pessoas que gostariam de estar na política, mas estão nos tribunais. Não cabe a técnico de tribunal opinar sobre a viabilidade da ferrovia", disse ele.

Claramente irritado, o governador endureceu as críticas: "O Brasil precisa acabar com a burocracia, ninguém aguenta mais tanta burocracia. A Bahia está sendo prejudicada por causa de meia dúzia de técnicos burocratas. Ferrovia em qualquer lugar do mundo é sinônimo de desenvolvimento. Quero saber se o Legislativo concorda com essa posição do TCU", afirmou  ele.

Deputados reagem

O TCU sugeriu a redução da Fiol - com a conclusão apenas do trecho entre Ilhéus e Caetité e da conexão com o porto de Ilhéus. -, após analisar  atraso no andamento das obras, compra antecipada de trilhos e outros materiais pela Valec (estatal responsável pelas obras), e a crise econômica, com o contingenciamento de recursos pelo governo e a queda do preço do minério de ferro no mercado internacional.

Mas são argumentos que não convencem o coordenador da bancada baiana no Congresso, deputado José Carlos Araújo (PSD). "A obra já foi iniciada, parar é que trará prejuízo",  entende Araújo, que classifica a recomendação do TCU como "invasão de competência".

Presidente da Comissão da Fiol e do Porto Sul na Assembleia Legislativa, a deputada Ivana Bastos (PSD) disse que ficou surpresa com a posição do TCU.

"Em julho, nós da comissão estivemos com o ministro Aroldo Cedraz e ele garantiu que não havia nenhum impedimento legal para o prosseguimento da ferrovia", revelou a deputada. "Queremos esclarecimentos, porque será um grande prejuízo para a Bahia se o traçado da Fiol for reduzido", alerta a deputada.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo (PDT), também acha que não é da esfera do TCU dizer ou sugerir mudanças no projeto físico da ferrovia. "isso é uma competência da Valec", afirma.

 

FONTE: atarde.uol.com.br  
 
 

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