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Segunda-Feira, 07 de Dezembro de 2015

elo menos duas figuras devem se fortalecer politicamente na Bahia na eventualidade de o vice-presidente Michel Temer (PMDB) suceder a presidente Dilma Rousseff (PT) em decorrência do processo de impeachment. O ex-deputado federal e ex-ministro Geddel Vieira Lima, que comanda, junto com o irmão, o deputado federal Lúcio, o PMDB estadual, e o prefeito de Salvador, ACM Neto, uma das maiores estrelas nacionais do DEM, são espectadores ativos da cena que se desenrola em Brasília envolvendo o destino da presidente e de seu vice no comando do país.

Desde que afastou-se do PT e de algumas de suas principais expressões, como o ministro chefe da Casa Civil, Jaques Wagner - com quem rompeu na Bahia depois de alguns anos de aliança -, a presidente e o antecessor, Lula, de quem foi um prestigiado ministro da Integração Nacional, Geddel como que foi marginalizado das grandes articulações nacionais, nas quais estava habituado a tomar parte com desenvoltura por meio do PMDB. A possibilidade de o líder peemedebista assumir a presidência coloca o baiano de novo no circuito dos grandes acontecimentos.

É muito provável que Geddel seja convocado a integrar-se ao andamento do novo governo, o que pode empurrá-lo mais uma vez para o proscênio, com inevitáves repercussões na vida das oposições já em 2018. A mesma sorte deve sorrir também para ACM Neto, que poderia ver finalmente encerrado o ciclo de exclusão a que foi relegado em Brasília, o qual, se não chega a prejudicar irremediavelmente sua administração, pelo menos impede que imprima o ritmo de trabalho que gostaria na Prefeitura, como as dificuldades para receber os recursos federais para a implantação do BRT exemplificam.

Assim como Geddel, Neto tem acesso direto a Temer. No princípio do ano, depois da reeleição de Dilma e da vitória do petista Rui Costa ao governo estadual, preocupado com o fechamento das torneiras na direção de Salvador, o prefeito deixou em aberto, inclusive, a possibilidade de filiar-se ao PMDB, então maior aliado nacional da presidente, na expectativa de abrir um canal de interlocução efetivo no governo federal. O assunto foi tratado diretamente com o vice-presidente da República num jantar ao qual ACM Neto levou a bancada federal do DEM na Bahia.

Empenhado, na época, em ajudar Dilma, Temer obteve do grupo o compromisso de votar favoravelmente ao ajuste fiscal, decisão pela qual deputados como o aguerrido oposicionista José Carlos Aleluia pagaram um preço alto. Mas isso são águas passadas. O fundamental agora tanto para Geddel como para Neto é ajudar, no que puderem, Temer e um eventual governo seu, o qual terá que se inscrever numa proposta de concertação nacional, uma possibilidade que, por um conjunto de inaptidões que vão da incompetência à arrogância, passando pelo cérebro estreito e dogmático, Dilma jogou no lixo, colocando em risco o destino de mais de 200 milhões de pessoas.

 

FONTE: www.tribunadabahia.com.b/rFoto-www.tribunahoje.com  
 
 

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