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A voz das ruas revela a descrença nos políticos
Terça-Feira, 15 de Março de 2016

Se a oposição pensou que as gigantescas manifestações de domingo, 13, seriam algo como um 'Fora Dilma' e 'Viva Aécio', se deu mal.

Óbvio que o foco principal foi o trio Dilma-Lula-PT, mas as ruas deram um recado mais extenso, a insatisfação com nossos políticos. E, convenhamos, com razões.

Paira a sensação de que o modelo apodreceu, que os ditos representantes do povo não o representam. E por mera intuição se acha que é tudo farinha do mesmo saco.

Até porque a roubalheira da Lava Jato tem um imbricamento congênito entre políticos e empresários. E vários empresários disseram com suas delações premiadas que o jogo era esse, ou pagavam as propinas ou dançavam. Claro fica que os políticos instigavam, não de agora, as falcatruas.Daí surge outra questão: dentre as gigantescas mazelas que a Lava Jato expõe há uma outra difícil de engolir: os peixes graúdos do empresariado estão todos na cadeia, e dos políticos, só os miúdos.

O tal do dispositivo constitucional que assegura a imunidade a políticos com mandato ou investidos de altos cargos saiu pela culatra. Virou sinônimo de impunidade, um aparato legal para proteger corruptos.

Imagine você que se hoje o TSE cassasse Dilma e Michel Temer, o presidente da República seria Eduardo Cunha.

Dá para engolir uma dessas?

Lula lá — Dava-se como certo nesta segunda, 14, que Lula vai mesmo para o ministério. Ficaria na Casa Civil, no lugar de Jaques Wagner (que iria para outro), ou na Secretaria de Governo.

Ora, se Lula é tão inocente como diz, por que acobertar-se na imunidade de ministro? Politicamente, é gol contra.

 

FONTE: atarde.uol.com.br/coluna/tempopresente  
 
 

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