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Bahia tem 15 mil casos de AVC por ano
Pessoas hipertensas, diabéticas e fumantes são as mais propensas a desenvolver a doença
Sábado, 28 de Janeiro de 2017

Na última terça-feira, a ex-primeira dama e esposa do ex-presidente Lula, Marisa Letícia, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), do tipo hemorrágico, e precisou ser internada as pressas no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Segundo a equipe médica da unidade de saúde, o motivo do acidente foi um aneurisma (uma artéria cerebral com má formação), descoberto há dez anos e que se rompeu.
A situação chama a atenção para os cuidados com a doença, que pode deixar sequelas e até mesmo fazer a pessoa vir a óbito, principalmente se ela estiver dentro dos grupos considerados de risco como diabetes, hipertensão, colesterol alto e tabagismo. Além de tudo isso, contribui se a pessoa tiver uma vida sedentária e uma alimentação pouco saudável.
Aqui na Bahia, de acordo com estimativas da Sociedade Baiana de Neurologia (SBN-BA), cerca de 15 mil casos ocorrem por ano no estado e, de cada 100 mil habitantes, 45 pacientes acabam morrendo por conta do AVC.
De acordo com o cardiologista do Hospital Santa Izabel, Gilson Feitosa Filho, até mesmo pessoas leigas podem identificar, em três passos, que um paciente pode estar com princípio de AVC. “Existem sintomas que fazem com a gente suspeite. Em primeiro lugar, observar se o paciente tem algum lado do corpo que não se mexe bem, que está com aguda redução da força muscular.
Em seguida, observar se ele tem algum dos lados da face que se movimente menos, a exemplo de quando ele sorri. Por último, a fala, com a pessoa se expressando de maneira embolada, diferente do normal. Ao perceber esse três sintomas, ele deve procurar ajuda médica”, explicou.
Segundo o especialista, existem dois tipos de AVC: o hemorrágico e o isquêmico. O primeiro acontece em 15% dos casos e o segundo em 85%. “Ambas são muito graves, mas o hemorrágico ainda é muito mais grave do que o isquêmico.
Ambos têm seus tratamentos específicos e manifestação clínica é difícil de diferenciar sem fazer um exame fundamental, que é a tomografia computadorizada de crânio”, disse Feitosa Filho.
Em casos de AVC hemorrágico, ele afirma que pode ser necessária a realização de cirurgia para poder fazer a retirada do sangue do local de sangramento, além da administração de medicações para evitar que esse sangramento continue.
Homens estão mais propensos a ter derrame
Por conta de questões hormonais, os homens estão mais propensos a ter o AVC do que as mulheres, antes do período da menopausa no gênero feminino. “Nas doenças vasculares, os homens estão menos protegidos do que as mulheres”, afirmou. Além disso, a raça negra também tem mais chance de desenvolver a doença por conta da hipertensão, mais comum nesse grupo do que na raça branca. Contudo, a diferença é pequena entre as raças, conforme explica o cardiologista.
Apesar de também ser mais comum entre os mais velhos, o Acidente Vascular Cerebral vem aumentando bastante entre os mais jovens. Gilson Feitosa Filho atribui a situação ao estilo de vida adotado por essa faixa etária. “Isso acontece tanto com AVC quanto com o infarto. As pessoas estão cada vez mais sedentárias, com mais peso e mais estressadas.
É preciso acrescentar que o uso de drogas favorece o AVC e o infarto e as pessoas usam substâncias que elas mesmas não reconhecem como tal, mas geram influência”, afirmou.
Uma vez ocorrido o acidente, o tempo pode ser um aliado fundamental, principalmente para quem sofre. “Uma vez identificada uma daquelas três alterações iniciais, o quanto antes o paciente puder ter um acesso a um hospital e que tenha a mínima estrutura em neurologia, através de um serviço médico móvel, menor será a perda de tempo”, contou o cardiologista do Hospital Santa Izabel.
A depender do tipo de AVC sofrido e do tempo de procura por ajuda médica, a doença pode deixar diversas seqüelas como deixar de mexer membros de um determinado lado do corpo, ter dificuldades na fala e até mesmo redução na consciência. Por outro lado, a depender do tratamento – desde que precoce – pode não deixar seqüela alguma ao paciente, ou deixar danos mínimos, que podem ser atenuados com exercícios de fisioterapia e fonoaudiologia.
Segundo ele, a maioria dos AVCs que ocorrem poderiam ter sido evitados caso as pessoas levassem um estilo de vida mais saudável. “A relação do AVC com a hipertensão, por exemplo, é muito grande.
Então é controlar bem a pressão, cronicamente, é muito importante, principalmente para os que têm pressão alta constantemente, já que a hipertensão faz o estrago para o AVC a longo prazo. “, alertou. O ideal é que a pessoa também realize exames de forma constante e faça visitas ao médico regularmente. “Ele é muito mais influência das questões sociais do que das questões genéticas e familiares”, salientou.

 

FONTE: www.tribunadabahia.com.br/Foto-UOL Notícias  
 
 

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