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OCDE elogia desempenho do Brasil na educação
Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2013

BRASÍLIA - Em visita a Brasília, o secretário-geral da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Angel Gurría, enalteceu nesta segunda-feira o desempenho brasileiro na educação, área que costuma render mais críticas do que elogios ao país. Gurría está à frente da entidade responsável pelo Programa de Avaliação Internacional de Alunos (Pisa), maior exame do planeta sobre aprendizagem de estudantes na faixa dos 15 anos de idade.
Embora o Brasil faça parte do grupo de países com pior rendimento no Pisa - ficou na 53ª posição entre 64 participantes, em 2009 -, Gurría destacou o avanço dos alunos brasileiros. De 2000 a 2009, o Brasil foi o terceiro país cuja nota média geral mais progrediu, atrás somente de Luxemburgo e Chile.
- Em termos de progresso, vocês lideram pelo exemplo - disse Gurría.
Ele lembrou que, na primeira edição do Pisa, em 2000, o Brasil ficou no último lugar:
- Mas vocês fizeram a lição de casa e já estão colhendo os frutos.
Indagado sobre os elogios ao sistema de ensino brasileiro, que é alvo de críticas no país, Gurría observou que "sempre é possível melhorar, fazer um pouco melhor". Mas enfatizou que se tratava de um elogio merecido:
- É um elogio baseado nos resultados positivos.
Ainda que o Brasil tenha figurado entre as três nações que mais progrediram no Pisa na última década, um estudo do movimento Todos pela Educação, comparando resultados da edição de 2006 com a de 2009, mostrou que apenas seis estados brasileiros apresentaram melhoria nas provas de leitura, matemática e ciências acima da média brasileira no Pisa. De acordo com o estudo, quanto mais baixo o ponto de partida, mais fácil é avançar. A meta brasileira é atingir a nota média dos países da OCDE em 2021.
Gurría falou ao lado do ministro Aloizio Mercadante. Os dois oficializaram o ingresso do Brasil no Conselho Diretor do Pisa, a partir de janeiro de 2014. O conselho define as diretrizes do exame, que são questionadas pelo Ministério da Educação brasileiro.
Em abril deste ano, o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Luiz Claudio Costa, compareceu a um encontro do Conselho Diretor do Pisa em Lisboa, Portugal, para formalizar críticas ao formato atual do exame. Para o MEC, não faz sentido que a China tenha ficado em primeiro lugar no ranking do Pisa de 2009, uma vez que o país de 1,3 bilhão de habitantes submeteu ao teste apenas alunos de Xangai, onde vivem menos de 30 milhões de pessoas.
Mercadante afirmou que o governo brasileiro dará continuidade ao questionamento, agora como membro formal do conselho, do qual participam representantes dos 34 países que compõem a OCDE.
- Queremos discutir as nossas preocupações metodológicas, nossos critérios de amostragem, as especificidades de países mais pobres que fazem um grande esforço de inclusão. Sabemos que é uma comparação difícil, porque somos um país com um PIB per capita um terço da média dos países da OCDE - afirmou Mercadante.
O ministro disse que Gurría não é a primeira autoridade internacional a elogiar a educação brasileira. Ele destacou o peso da educação na melhoria do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, divulgado neste ano pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
O Pisa é realizado a cada três anos. Os resultados do Pisa 2012 serão divulgados em 3 de dezembro.

 

FONTE: oglobo.globo.com/Foto:www.jornaldigital.com  
 
 

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