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O xeque-mate de Gabrielli
Terça-Feira, 22 de Outubro de 2013

O primeiro a colocar seu bloco na rua, o que de certo modo não surpreendeu, foi o secretário do Planejamento, José Sérgio Gabrielli, o que denota desconfiança sobre o processo estabelecido pelo  PT para, a partir de uma comissão de cinco membros, sem que nenhum deles seja notável, cuidar de consultar a legenda para decifrar sobre o candidato desejado para a sucessão baiana. É certo que a decisão de Gabrielli ao lançar, com um grupo, a sua candidatura talvez não tenha surpreendido a Wagner nem, muito menos, ao ex-presidente Lula, que apadrinha seu nome. O ex-presidente da Petrobrás não é de esperar fazer a hora. Está mais para fazer acontecer, e foi o que ocorreu, na medida em que percorre o partido, de ponta a ponta, que o candidato que sairá das consultas será o chefe da Casa Civil, Rui Costa, nome da preferência do governador.
Para Rui não ser candidato seria necessário que Wagner estivesse muito fraco dentro da legenda, o que não é o caso, ou que, antes, fossem estabelecidas regras formais para a escolha do nome, publicitando-as para não haver dúvida. Tal não aconteceu. Assim posto, pelo sim, pelo não, Gabrielli resolveu levar o seu chapéu na mão e abriu a sua candidatura. Com isso, criou um fato político de densidade considerável. Tal fato está presente na pergunta: o que ocorrerá se, com uma candidatura lançada, o PT apresentar também o nome de Rui Costa? A interrogação que fecha a frase anterior responde. Como, nas situações que se criam desembocam em duas respostas: pode acontecer tudo, inclusive uma crise de grandes dimensões, ou pode não acontecer nada. Se não a contecer nada iriam dois candidatos para a convenção do partido decidir em junho do próximo ano entre um e outro?
Melhor não considerar a possibilidade do final do parágrafo anterior. É muito mais provável que o partido se divida, que haja desencontros e que, a partir do estilhaçamento de posições, a legenda se enfraqueça. Observem que, pelo menos na quadra atual, o PT não está necessariamente unido. A desunião do partido é natural, persiste internamente, em consequência das suas muitas tendências, mas não ocorre a céu aberto, de público. Não creio que, se Gabrielli tomou a dianteira ao se lançar, esteja em condições de voltar atrás e retirar seu nome para favorecer o de Rui. O problema é que o ex-presidente da Petrobrás, quando o PT era um pequeno grão de areia, que não sonhava com uma estrela no céu, se candidatou ao governo sabendo que iria perder. Agora ele sabe o contrário: que poderá ganhar, realizar seu sonho de governar a Bahia e sabe ainda mais: esta será, muito provavelmente, a sua última oportunidade.
O PT baiano está numa encruzilhada ou diante da esfinge a perguntar “decifra-me ou devoro-te”. Decifrar é difícil, devorar é possível, mas com isso, quem encherá a barriga no festim pantagruélico será um candidato da oposição, quem sabe Geddel Vieira Lima, quem sabe Paulo Souto, quem sabe Lídice da Mata. O que está ocorrendo dentro do PT era esperado, mas não da forma acontecida e, sim, depois da escolha do candidato se a união não se fizesse. É certo que, com Gabrielli candidato, o problema também passa a ser grande para o senador Walter Pinheiro que corria pela raia de fora na expectativa de atropelar Rui Costa, e não Gabrielli com quem tem conversado. Agora, realizando aqui o esboço de uma premonição, pode ocorrer que, escolhido Rui, Pinheiro se arrepie e, aí, o que poderá vir acontecer? Nova interrogação. Alguém se unirá com alguém para dar combate ao terceiro nome? Wagner e Rui Costa ficariam na berlinda? Não creio pela notória capacidade de o governador estabelecer articulações políticas inteligentes. E Walter e Gabrielli? Também uma união entre os dois determinaria que um fique de fora, é claro. Neste caso, qual deles ficaria?  Se houvesse um quarto nome que não fosse o do improbabilíssimo Luiz Caetano, poder-se-ia lembrar a cantiga de roda da época da infância “três, três passará, derradeiro ficará”. Bem, se é certo que Lula está com Gabrielli, Dilma não ficará contra Lula.
Enfim, observa-se que o secretário do Planejamento mexeu no seu xadrez e, no sábado passado, quando se lançou candidato ao governo, só faltou gritar, no discurso que fez: xeque-mate! O xadrez que pode não ser o do ex-presidente da Petrobrás, afora a confusa escolha do nome para a sucessão dentro do partido, ainda demanda outra escolhas, envolvendo a vice-governadoria e a candidatura ao Senado, que de há muito o vice Otto Alencar diz ter interesse. Tem vantagens porque conta com o PSD, que comanda no Estado, enquanto o vice dependerá de quem for escolhido candidato ao governo. O presidente da Assembleia, Marcelo Nilo, é declaradamente pretendente ao cargo. Tem vantagens, dentre outras por ter, com Wagner, um relacionamento além de amistoso e não ter problemas com nenhum dos nomes aqui citados com possibilidades de representar o PT na sucessão governamental. Nilo é do PDT. 
A verdade é que agora o PT baiano está imerso numa grande crise. Duvida-se, a essa altura, da validade das consultas que a comissão com cinco integrantes constituída pela direção do partido tenha consequência. Como em outros tempos, diria que “deu chabu.” As bases da legenda sentem o solo balançar. E não é terremoto; é desencontro mesmo. A luta pelo poder futuro já não tem rumos nem princípios.

 

FONTE: bahianoticias.com.br  
 
 

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