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Bonfim e Zezéu disputam vaga no TCE
Quinta-Feira, 09 de Janeiro de 2014

A vaga a ser aberta no Tribunal de Contas do Estado no próximo dia 26, com a aposentadoria compulsória por idade do conselheiro Filemon Matos, tem pelo menos dois fortes pretendentes: o deputado estadual João Bonfim (PDT) e o deputado federal Zezéu Ribeiro (PT).

A particularidade é que Bonfim havia tentado em oportunidade anterior ser indicado para uma cadeira no TCE e depois de teve de abrir mão da postulação para apoiar o então deputado Gildásio Penedo, que havia, no jargão da área, “se viabilizado” nas conversas com colegas.

O aparecimento de Zezéu na competição cria uma situação política peculiar e adensa a atmosfera da Casa, especialmente quando se sabe que ele faz intensos contatos, repetindo, como dissemos em nota anterior, a estratégia de Gildásio – quem quer voto tem de ir aos eleitores.

Deputado levará o nome ao plenário



Bonfim reagiu com certa ironia à campanha do adversário, por entender que, em matéria de diálogo com os deputados estaduais, ninguém o supera, já que é um deles. “Estou diariamente na Assembleia, conversei com quase todos os deputados sobre o assunto e asseguro que vou concorrer, meu nome será levado ao plenário”.

Para que um parlamentar – ou qualquer pessoa que preencha os requisitos legais e constitucionais – dispute uma cadeira de conselheiro precisará ser indicado por 21 deputados ou por um líder partidário, ou ainda pelo presidente da Assembleia.

Os competidores devem ter de 35 a 65 anos de idade, notório saber jurídico, contábil, econômico, financeiro ou de administração pública, além de reputação ilibada. Bonfim, bancário de carreira, deputado por cinco mandatos e pós-graduado em administração pública, julga-se dentro dos critérios.

Salário ótimo, mordomia e pouco trabalho



Moeda de troca nas compensações políticas, as vagas em tribunais de contas são um objeto de desejo entre políticos, porque representam uma onírica aposentadoria em plena atividade, regiamente paga, além de ser vitalícia e repleta de mordomias.

Os conselheiros, em geral, apenas supervisionam o trabalho duro de esmiuçar, analisar e interpretar dados múltiplos e complexos de dezenas de milhares de processos, que cabe aos auditores e ao batalhão de assessores de que dispõem.

Das sete cadeiras do TCE, quatro são de indicação da Assembleia Legislativa e as três restantes, do Ministério Público de Contas, da classe dos auditores e do governador do Estado – todos os nomes, porém, têm de passar pelo crivo do Legislativo, em votação secreta.

Casa tem outra vaga em setembro



Em seu último ano de mandato, o governador Jaques Wagner nomeará três conselheiros. Além de Filemon, aposentam-se por completar 70 anos Paulo Maracajá, do TCM, em 26 de março, e Zilton Rocha, do TCE, em 1º de setembro, vagas de indicação, respectivamente, do governador e da Assembleia.

Um favoritismo a ser testado



Nos bastidores, há quem julgue que “Zezéu não perde pra ninguém” numa disputa pela nomeação ao TCE. Pesaria na balança sua trajetória na vida pública, mas também as dificuldades que tem, com limitações de saúde, para enfrentar nova campanha a deputado federal.

Zezéu foi três vezes vereador em Salvador e está no terceiro mandato na Câmara dos Deputados. Na fase inicial do PT, representou o partido em três eleições majoritárias: prefeito da capital (1988), Senado (1994) e governo do Estado (1998). Iniciou a vida pública como presidente do Instituto dos Arquitetos e, depois, do sindicato.

Por outro lado, Bonfim é bem relacionado na Casa, onde se encontra há quase 20 anos, e teve o apoio do presidente Marcelo Nilo em seu pleito anterior. Posteriormente, em razão do crescimento de Gildásio Penedo, o próprio Nilo o aconselhou a aguardar a próxima oportunidade, que é agora.

 

FONTE: Por Escrito/Fotoswww.brumadoverdade.com.br  
 
 

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