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DEM ainda não veio pressionar Souto
Sábado, 11 de Janeiro de 2014

A verdade é que já estamos no dia 11 de janeiro e nem sinal da comitiva nacional do DEM que viria a Salvador, “logo depois das festas de fim de ano”, para insistir com o ex-governador Paulo Souto sobre a candidatura ao governo do Estado pela coligação oposicionista.

Um deputado do partido entende que essa pressão é um recado para Geddel Vieira Lima (PMDB), postulante declarado. “Por que vai ser o candidato quem está em segundo nas pesquisas?” – quis saber, e ante o argumento de que “Souto não quer”, voltou à carga: “Será?”

Para ele, “quem conhece Paulo Souto sabe que nas últimas semanas ele mudou o comportamento público e pessoal”. O ex-governador teria passado do descarte da hipótese a uma posição mais aborda, especialmente quanto aborda temas do interesse enconômico do Estado.

Bruno visaria dois anos na Prefeitura



Nos bastidores políticos, o deputado Bruno Reis é visto como o maior defensor da candidatura de Geddel, a quem deu grande ânimo com seu ingresso no PMDB, como parte de uma estratégia em que demonstra “muita sabedoria”.

Fonte deste blog acha que Bruno não deixaria de ser o presidente do PPS na Bahia, como já estava definido, “para ser liderado do irmãos Vieira Lima sem uma visão adiante do processo”.

Em 2016, na reeleição do prefeito ACM Neto, caberia ao PMDB, como principal parceiro, a vaga de vice-prefeito, que Bruno ocuparia com prazer, na perspectiva de assumir o cargo em 2018.

Há apenas um senão em toda essa rede especulativa: supondo-se que Geddel se eleja goverrnador este ano, seria candidato natural à reeleição. Nesse caso, Neto não renunciaria em 2018 e Bruno continuaria vice.

Luta na "base" vem da lei da oferta e procura



No princípio, não havia PSD nem PP. Na aliança governista apareciam como principais legendas PT, PMDB e... PDT!

Donde se conclui que se tudo assim tivesse permanecido, não haveria obstáculo à indicação do presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Nilo, à chapa majoritária governista.

Mas a política, como se diz, é dinâmica. O rompimento com o PMDB, em 2009, forçou o governo a atrair o PP para recuperar a maioria parlamentar.

A simbiose foi tão acentuada que, num processo só, o conselheiro Otto Alencar voltou à ativa, filiou-se ao partido e acabou candidato a vice de Wagner em 2010, numa eleição de quatro vagas na chapa.

Ainda dentro da imprevisibilidade da política, Otto deixou o PP para fundar na Bahia o PSD “de Gilberto Kassab”, surgindo como um nome forte a qualquer coisa em 2014, com direitos previamente garantidos.

Ou seja, criou mais um partido aliado na “base”, e justamente quando a eleição só terá uma vaga de senador. O aumento da procura e a simultânea queda da oferta não dão problema somente na economia.

Voto supera lealdade na relação política



É mais antiga do que parece, portanto, a contenda entre PDT e PP por um lugar na chapa. Para dar nome aos bois, entre Marcelo Nilo e o deputado Mário Negromonte, que ao longo da vida atravessaram as condições de correligionários, inimigos, “aliados” e, agora, adversários diretos.

A iniciativa do combate foi de Nilo, ao colocar-se com grande antecipação como candidato ao governo, sem chance, como intimamente ele deveria saber, mas criando um espaço de negociação que no fim o recompensaria, certamente com a vaga de vice-governador, pois se supunha a preferência de Otto para o Senado.

Sentindo que a disputa seria palmo a palmo, Nilo exibiu independência para postular, talvez pela sua posição de aliado histórico do PT, somada à inquestionável fidelidade ao governo nestes sete anos como presidente da Assembleia.

Negromonte não se fez de rogado ante a chance de contrastar-se. Foi ao governador Jaques Wagner, aflito juiz dessa causa incandescente, jurou lealdade a Rui Costa e anunciou que o PP não pressiona, deixando Wagner livre decidir por onde seu prejuízo será menor.

A vida imita a Bíblia


Como no soneto de Camões que retrata passagem do Gênesis, sete anos ao PT Nilo serviu e agora vê o Labão da história querer lhe entregar Lia em vez de Raquel.

O tempo passa


Falamos há pouco do dinamismo da política. Pois veja-se que cinco anos atrás, por iniciativa do deputado Marcelo Nilo, tramitou na Assembleia uma PEC para conceder pensão vitalícia precoce a ex-governadores, da qual o parlamentar preferiu recuar, ante pressão feita pela imprensa, como ele próprio reconheceu na época.

Coube ao então deputado ACM Neto anunciar uma ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal, caso a ideia prosperasse, revelando o motivo: “O governador Jaques Wagner sabe que vai ficar sem emprego em 2011. Vamos lutar para que ele, ao deixar o cargo, arrume um emprego e trabalhe duro, como qualquer cidadão, para se aposentar”.

Verticalização: pelo mínimo de unidade partidária


O PV “conversa com todo mundo”, está aberto a novas experiências. Não sabe se apoiará para o governo o ainda desconhecido candidato da oposição – à qual atrelou-se pela coligação com o DEM que levou Célia Sacramento a vice-prefeita de ACM Neto – ou se tomará outro caminho.

A própria Célia derramou-se em declarações de amor à senadora Lídice da Mata (PSB), que, se só tiver um voto para governadora, será o dela, Célia. Ao mesmo tempo, a vice-prefeita diz: “Faço parte de um projeto liderado pelo prefeito ACM Neto, e tudo que eu fizer vai ser em consonância com esse projeto que estamos construindo juntos”.

Tem sido assim. Na política deixou de haver uma luta de ideias, propostas e caminhos, há apenas um conflito ideologicamente apócrifo pelo poder. Conglomerados recheados de interesses particulares pedem periodicamente ao eleitor-contribuinte-cidadão que referende por mais quatro anos a gestão do condomínio, onde nada é transparente e tudo é subterfúgio.

Neste aspecto da tentativa de aproximar o funcionamento dos partidos políticos do espírito de sua existência, o PSDB, como anunciou o líder Antonio Imbassahy, tomou providência importante, resgatando, para efeito interno, a lei da verticalização, que existiu no Brasil e foi revogada, proibindo coligações regionais em desacordo com a nacional.

Isso é o mínimo que se pode fazer para, aos poucos, tentar introduzir no país uma estrutura partidária consistente, em que possam ser notadas diferenças, e não a atual cumplicidade com a banalização da confusão, que mistura e separa legendas ao sabor do vento nos Estados e municípios.

Limite

O prefeito Neto fala bem dela, e é possível mesmo que esteja avançando na preparação da vice-prefeita, mas é de duvidar que tivesse a coragem de deixar-lhe a Prefeitura para candidatar-se ao governo do Estado.

 

FONTE: Por Escrito/Foto-www.infosaj.com.br  
 
 

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