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Protesto por morte de agricultor continua e clima na BR-101 é tenso
Grupo interdita rodovia que é a principal ligação da região com sudeste. Ponte foi queimada e temperatura elevada compromete estrutura, diz PF.
Terça-Feira, 11 de Fevereiro de 2014

 O protesto de agricultores na BR-101, perto da cidade de Una, a 507 km de Salvador, iniciado por volta das 9h, continua até as 22h desta terça-feira (11), segundo a Polícia Rodoviária Federal. Os manifestantes afirmam que vão passar a madrugada no local.

Os manifestantes fecharam a ponte no km-526 e atearam fogo em pneus, interditando o trânsito, após a morte de um morador e ex-líder de comunidade de agricultores no município. A rodovia é uma das principais ligações da região com o sudeste do país. De acordo com o delegado federal Alex Cordeiro, o fogo ateado nos pneus, juntamente com o clima quente durante o dia, elevou a temperatura na ponte de tal forma que comprometeu a sua estrutura. Ainda segundo o delegado, técnicos do Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (DNIT) devem comparecer na próxima quarta-feira (12) para avaliar a estrutura da ponte, que fica localizada no município de Buerarema, a 52 km de Una, e que também foi partida com marretadas por cerca de 300 manifestantes.

Um vereador que participa da manifestação afirma que o clima é "de guerra". Ele afirma que não quer se manifestar, mas assume que está do lado dos agricultores. "O clima aqui está muito pesado. Cerca de cinco mil pessoas estão nas ruas. 150 policias militares tentam conter a multidão e já são três pessoas feridas por tiros de borracha. O prefeito não aguentou, passou mal e desmaiou", disse.

O G1 entrou em contato com a assessoria de imprensa da Polícia Militar, mas ainda não obteve resposta sobre o número de feridos. Segundo os participantes, até por volta das 22h, eram seis feridos devido aos protestos.

O inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Marco Vinícius Rodrigues, conta que a entrada e saída de veículos no município foram interditadas até cinco quilômetros de antes dos acessos, a fim de evitar a depredração dos automóveis. Além da destruição de parte da ponte, segundo a PRF, os manifestantes cortaram árvores e queimaram pneus e madeiras ao longo da rodovia. Não há previsão para o fim do protesto. "O clima é tenso na região. O comércio está fechado e os produtores rurais foram para a pista. Agentes da PRF, Polícia Federal, Polícia Militar e Força Nacional foram encaminhados para o local", conta Rodrigues. O inspetor diz que os manifestantes acreditam que índios da localidade estão envolvidos na morte do agricultor. A informação ainda está sendo investigada pela polícia.

Crime
O morador do assentamento de agricultores de Ipiranga, na zona rural do município de Una, foi morto na noite de segunda-feira (10). Em entrevista ao G1, no final da manhã desta terça, a esposa da vítima, Elisângela Oliveira, relatou o crime.

Ela conta que estava em casa com o marido e a filha de 17 anos, por volta das 21h, quando quatro homens armados invadiram a residência e disparam vários tiros contra Juraci dos Santos Santana, de 44 anos.

Elisângela relata que os suspeitos arrancaram a orelha do marido depois que ele estava morto. "Estávamos vendo a novela quando eles chegaram. Eles ainda colocaram fogo no nosso carro e ameçaram nos matar caso apagássemos [o fogo]. Passamos o resto da noite escondidas no mato. Realmente, nada vai bem por aqui", desabafou Elisângela.

A área onde acontece o protesto está situada em uma zona de conflito entre agricultores e indígenas. O corpo do ex-agricultor ainda não foi necropsiado pelo DPT e só deve ser liberado na manhã de quarta-feira (12).

A Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que tomou conhecimento do caso e que está acompanhando por meio da sua coordenação regional. "As circunstâncias e o envolvimento de indígenas no ocorrido ainda não foram esclarecidos", disse em nota.

Reforço
O governador Jaques Wagner pediu ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a aplicação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para as regiões em que acontecem conflitos de terra entre índigenas e produtores rurais. O encontro foi realizado na tarde desta terça-feira (11), em Brasília. Wagner pediu atenção especial às cidades de Buerarema e Una.

 

FONTE: G1/ Foto:plantaodepoliciabahia.blogspot.com  
 
 

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