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Ensino superior se torna um negócio cada vez mais lucrativo e comercial
Segunda-Feira, 07 de Julho de 2014

A educação superior no Brasil está cada vez mais nas mãos de empresas com fins lucrativos. De 2002 a 2012, o número de alunos do ensino superior no Brasil duplicou e chegou a sete milhões. Mesmo assim, com apenas 17% dos brasileiros entre 18 e 24 anos na faculdade, existe uma lacuna que precisa ser preenchida. O governo prometeu aumentar essa porcentagem para 33% até 2020. 

Para atender esse lucrativo mercado em crescimento, fundos de investimento privados norte-americanos e brasileiros, corporações e bancos de investimentos estão comprando e integrando instituições de ensino em ritmo acelerado.

Os especialistas em educação alertam que a ênfase no aspecto comercial da educação nem sempre coloca os alunos em primeiro lugar. Apesar de tais preocupações, o sistema comercial provou ser interessante para um governo com recursos limitados.

“O governo não teve escolha a não ser trabalhar com o setor privado. Ele não consegue atender a demanda sozinho”, declarou Fernando Iunes, diretor geral do banco de investimento do Itaú BBA no Brasil.

As universidades públicas brasileiras ainda são consideradas as melhores do país pelo prestígio e pela qualidade de pesquisa. No entanto, os alunos são quase exclusivamente das classes superiores do país, e os orçamentos generosos de pesquisas e a força de trabalho sindicalizada fazem que o custo por aluno seja três vezes e meio o custo das faculdades particulares.

Bolsa. Em 2004, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu início ao programa ProUni, que oferece bolsas para que os alunos de baixa renda frequentem universidades particulares. Desde que assumiu o cargo em 2011, a presidente Dilma Rousseff ampliou o programa e aumentou em mais de quatro vezes o orçamento dos empréstimos para os alunos enquadrados no programa Fies.

Os empréstimos subsidiados têm uma taxa anual de juros de 3,4% – um grande negócio em um país onde a inflação está em mais de 6% e os bancos quase sempre cobram mais de 40% de juros nos empréstimos pessoais – e os estudantes podem aguardar até 18 meses depois da formatura para começar a pagar.

Dívida. Cerca de 5,3 milhões dos sete milhões de universitários brasileiros estavam em instituições privadas em 2013. Aproximadamente 31% deles receberam auxílio das bolsas do ProUni ou dos empréstimos do Fies ou de ambos.

Já que a grande onda de empréstimos estudantis começou apenas em 2011 e esses estudantes têm até 2016 para começar a pagar ainda não está claro se os graduados brasileiros terão os mesmos problemas que muitos norte-americanos têm com a dívida.

João Carlos Santos, analista sênior do setor educacional do banco de investimentos brasileiro, o BTG Pactual, disse que as grandes empresas trabalham com o governo para expandir os empréstimos estudantis subsidiados. “Isso lhes deu uma vantagem adicional em relação aos grupos menores, que não podiam influenciar no processo, e acelerou a consolidação do setor”, declarou.

Melhoras

MEC. Oito em cada nove faculdades da Laureate avaliadas pelo MEC de 2009 a 2012 melhoraram suas classificações nos testes nacionais padronizados após sua aquisição pelo grupo.

Parceria para ampliar vagas São Paulo. O apoio do governo ajudou os investidores a colherem alguns retornos. Um grande ator é a Laureate Education, empresa de educação norte-americana. A Laureate fez 12 aquisições desde que entrou no Brasil em 2005. São mais de 200 mil alunos no país. “É difícil encontrar outro país no qual o governo esteja trabalhando tanto, em parceria com o setor privado, para ampliar o acesso à educação superior”, disse José Roberto Loureiro, presidente das operações da Laureate Brasil.

 

FONTE: tribunadabahia.com.br/Foto-www.unoparalagoinhas.com.br  
 
 

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