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Marina x Dilma (e Aécio): tapas e beijos no ringue eleitoral
Sábado, 13 de Setembro de 2014

Cansada de apanhar, e de ser empurrada para as cordas no ringue em que se transformou a campanha presidencial, na sua ruidosa e indefinida quase reta de chegada, a candidata do PSB, Marina Silva, ensaia mudança drástica de conduta. Troca as sandálias da delicadeza política e da pessoal doçura franciscana pelos sapatos de palmilha e salto reforçados: bem mais apropriados para a fase "bateu levou" que ela parece ter decidido encarar desde a última quinta-feira, 11 de setembro.

A ambientalista – trajada com a vestimenta socialista do partido que a protege e abriga desde que a Justiça Eleitoral lhe negou, estranhamente, o direito de criar a sua Rede – não poderia ter escolhido data mais emblemática para sinalizar a transformação de comportamento na campanha. Tanto os que recordam com espanto das torres gêmeas derrubadas em Nova Iorque, nos Estados Unidos, quanto os que não esquecem do Palácio La Moneda bombardeado em Santiago, no Chile, de onde foi retirado morto o presidente democraticamente eleito, Salvador Allende.

Marina não poderia, igualmente, ter escolhido ambientes mais apropriados para mandar os sinais ressonantes de seus tambores de guerra: o programa do PSB no horário gratuito de propaganda na TV, em cadeia nacional, e a sabatina a que foi submetida a candidata pelos colunistas do jornal O Globo, no Rio de Janeiro. No primeiro caso, a surpresa do programa repaginado, enxuto, direto e expressando à quase perfeição (diante da exiguidade do tempo) o sonho e o projeto da candidata de estabelecer ligação e diálogo diretos com a sociedade.

Sonhos alentados em razão da atual falência política e moral dos partidos políticos e de seus principais representantes nos parlamentos e nos governos: federal, estaduais e municipais. Uma Inspiração, diga-se, recolhida do pensamento e da ação do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos: o candidato inicial do posto agora ocupado pela ex-senadora, tragicamente morto em 13 de agosto no desastre aéreo de Santos.

Desastre, por sinal, ainda à espera de investigações sérias sobre as suas causas e responsabilidades. Esclarecimentos cabais e insofismáveis. Além de reparações justas e rápidas (reivindicam familiares do ex-governador) às famílias de todas as vítimas da tragédia. Passageiros e tripulantes do jatinho Cesna e moradores do bairro santista onde o avião caiu e explodiu.

Medidas que poderiam estancar ou mesmo impedir siga prosperando a perversa cultura nacional de transformar vítimas em culpados. De confundir tudo e misturar na geleia geral brasileira, em que nada é verdadeiramente esclarecido e os reais culpados sempre escapam, entre os dedos ou pela cada vez mais escancarada porta da impunidade e da cumplicidade.

No segundo caso, mas não menos importante (até ao contrário), a decisão de Marina Silva de promover o ensaio geral da sua fase "bateu levou", durante a sabatina do jornal O Globo, na última quinta-feita, igualmente no 11 de setembro. E a candidata socialista bateu forte e sem meias palavras ou metáforas impenetráveis.

Partiu para cima do PT e da adversária Dilma Rousseff, com quem disputa ponto a ponto nas pesquisas de opinião a preferência do eleitorado nacional, na corrida para destronar a atual ocupante do Palácio do Planalto, uma vez que Aécio Neves, do PSB, "só faz murchar", como definiu o jornal espanhol El Pais.

Dilma briga pela reeleição com todas as garras (e alguns sorrisos e beijinhos, como se viu esta semana na cerimônia de posse do ministro Ricardo Lewandowski, no comando do Supremo Tribunal Federal). Na sabatina, a ambientalista mirou na cabeça do PT, ao responder uma pergunta sobre a situação atual dos partidos políticos no Brasil: as pessoas não confiam em um partido que colocou um diretor na Petrobras por 12 anos para "assaltar os cofres" da estatal, disse, referindo-se a Paulo Roberto Costa, ex-diretor da empresa encarcerado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, por evidências de participação de esquema de corrupção em contratos da Petrobras.

E, sobre a acusação de que pretende sepultar o pré-sal, espalhou chumbo na direção da candidata petista que, na véspera, a acusara, em um palanque de Belém do Pará, ao lado do ex-presidente Lula, de "candidata frágil, insegura e vacilante, que recua e muda de posição, até diante de um Twitter postado nas redes sociais", foi enfática: 

"É preciso entender que o que está ameaçando o pré-sal é o que está sendo feito pela Petrobras. Uma empresa que hoje vale metade do que valia quando Dilma assumiu, e que está quatro vezes mais endividada, em relação à dívida que tinha. É isso que está ameaçando o pré-sal", rebateu Marina, na sabatina.

Teve muito mais, mas não repito aqui. Os detalhes estão nos jornais, nas redes sociais, nos horários eleitorais e na ressonância das ruas. O que importa de tudo isso são os fatos, a verdade, e o resultado. A conferir.

 

FONTE: tribunadabahia.com.br/Foto-www.caldeiraodopaulao.com.br  
 
 

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