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César Borges deixa o PR
Terça-Feira, 11 de Novembro de 2014

Que o relacionamento entre o ex-governador e secretário nacional dos Portos, César Borges, e o seu partido, o PR, não andava bem, isso era sabido, mas para surpresa de muitos setores da política local, houve o rompimento da linha oficial entre ambos.
O cacique do PR, deputado federal José Rocha, ontem, entrevista ao programa Conexão CBN, confirmou a desfiliação do político, um dos quadros bem avaliados pela presidente Dilma Rousseff (PT).
A contenda que girou na saída de Borges do Ministério dos Transportes, sob argumento do PR, de que ele não representava a cota do partido, ajudou a esquentar ainda mais o clima no convívio político.
Questionado se há uma crise entre a agremiação e o político, Rocha negou. “Crise não, mas é verdade a informação da desfiliação. César Borges já se desfiliou do PR, como também a ex-primeira-dama do Estado, Tércia Borges. Isso desde quando ocorreu o episódio da saída dele da pasta dos Transportes”, confirmou.
“A saída foi sem trauma, algo de foro íntimo. Ele entendeu que deveria sair e ficar sem partido por algum tempo, mas não houve nenhuma mal estar”, completou.
Com o argumento de que foram aliados de primeiro hora do recém-eleito governador da Bahia, Rui Costa (PT), Rocha acredita que o PR terá participação da gestão do petista.
“O PR foi o segundo partido a apoiar a candidatura de Rui Costa. Primeiro foi o PSD, que fez um evento, depois foi o nosso partido. Tivemos a nossa posição, fomos vitoriosos com ele e, certamente, a sigla terá espaço em sua administração pela caminhada que fizemos juntos em todo esse período”, afirmou.
Sobre o cenário nacional e a representação do grupo no governo Dilma, o republicano também foi otimista na construção da conjuntura da equipe de trabalho. “Quando a presidente Dilma veio à Bahia logo após as eleições, no fim de semana que passou aqui, ela esteve antes com duas figuras importante do PR: que é o presidente Alfredo Nascimento e o secretário geral que é Antonio Rodrigues. Nesta conversa foi acertado o espaço do PR nos ministérios. Certamente que não foi identificado qual ministério seria ocupado pela sigla, mas como nós estamos no Transportes, acredito que continuaremos nele”, discorreu.



Congresso - No tocante ao Congresso Nacional, a reforma política, segundo o baiano, trará mudanças no quadro de representações, tanto na Câmara Federal como no Senado. “É sabido por todos que está havendo movimentações para criação de novos partidos e nessa criação, com certeza, terá movimentação dentro do Congresso. Vamos aguardar esse ano para vermos a estrutura. Será um ano de muitas modificações no quadro político brasileiro”, previu.
Defensor da Reforma Política, Rocha afirmou no bate-papo que deve haver a redução de partidos e um recurso de “maior fiscalização dos trabalhos desempenhados por ele”. “O que está acontecendo, os tratamentos de acordos que vemos, é uma vergonha”, disse.
Classificou como difícil da atuação de Dilma no segundo mandato que se inicia em janeiro próximo. “Eu acho que ela vai ter um mandato com mais turbulências. O Congresso chega com essa renovação, em cima de um resultado eleitoral disputado e, não tenha dúvidas, que haverá dificuldades”, afirmou.
“Ela vai ter que ter cuidado grande. Acho que Lula ficará mais próximo, para aconselhá-la pelo entendimento com o Congresso”, finalizou o deputado federal reeleito. Rocha, que é médico, parte para o seu sexto mandato após receber 101.663 votos no pleito do dia 05/10. A votação dele representou 1,53% dos votos para a Câmara.
Seguidora do marido nos destinos políticos, a ex-primeira-dama do estado Tércia Borges disse à Tribuna, em agosto, que havia se desfiliado do PR. A justificativa, segundo disse, se dá diante da desilusão com a política, com muitos dos políticos. Há cinco meses ela já havia dado sinais de descontentamento, ao deixar o comando do PR Mulher. O objetivo agora é continuar ajudando a coletividade, através de trabalhos sociais, como faz.
Já a sondagem da saída de Borges do PR também se iniciou no mesmo período, quando a coluna Painel da Folha de S. Paulo publicou uma nota sobre assunto. A informação era a de que o baiano ficou magoado com a cúpula do partido que pediu a cabeça dele do Ministério dos Transportes em troca de apoio à reeleição de Dilma Rousseff, o que para petista era um apoio valioso, por conta da conjuntura do PR no Congresso que a auxiliava, principalmente no tempo da propaganda eleitoral.
Outro ponto que surgiu como estopim foi a retiradas de poderes de César Borges no diretório estadual. O ex-governador, um dos antigos apadrinhados políticos de Antônio Carlos Magalhães (ACM), foi impedido de negociar alianças eleitorais no pleito deste ano. Procurado pela reportagem da Tribuna para comentar o caso e saber quais serão seus destinos políticos e qual partido poderá se filiar, o ministro baiano não foi encontrado.

 

FONTE: www.tribunadabahia.com.br I Foto: atarde.uol.com.br  
 
 

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